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Tem vezes em que
a gente olha em volta e crê que tudo é um saco! É
tudo chato, repetitivo, batido, datado. E a gente se pergunta quando isso
tudo vai acabar de uma vez por todas, e mais: afinal para que tudo isso,
por que estamos aqui? E a resposta não vem. Não nesses dias,
ao menos. Ela chega naquelas outras vezes. Nos dias em que a gente acorda
com vontade de fazer tudo, de ler todos os livros, ouvir todos os discos
e assistir todos os filmes. Mergulhar nas mais diversas culturas e inventar
uma nova. Ou três. Conhecer todas as partes da Terra, explorar cada
canto, compreender cada credo, cada ritual, ter todas as religiões.
Não ter nenhuma. Ir a todos os shows e todas as festas, divertir-se
por completo das mais variadas maneiras que há para se divertir.
Conhecer todas as pessoas bacanas de todas as partes da Terra. Fazer sexo
com aquelas especiais. De todas as formas possíveis. E das impossíveis
também. Ler cada palavra escrita, escutar o som de cada instrumento,
ver tudo que o olho puder tocar. Aprender tudo, compreender tudo e ensinar.
E aí o tempo parece curto. E a vontade é de torcer os ponteiros
dos relógios, entupir as ampulhetas, impedir o tempo de correr
tão rápido e a gente sempre atrás. Estamos sempre
atrasados. Para tudo. Mas nesses dias, tenho a impressão de que
alcanço o tempo, que engano o passar das horas por alguns preciosos
instantes. E compreendo tudo. E me vem uma vontade gigantesca de estender
o braço e segurar o mundo inteiro com uma mão. Depois dar-lhe
uma mordida na parte mais carnuda. Engoli-lo por inteiro. Não ser
apenas parte dele, mas fazer ele parte de mim.
E isso é tudo.
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