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Eu sou aquele que
passa na rua. Meu passo se aperta porque estou surgindo em letras, derramando-me
pelos cabelos. Sinto que estou escorrendo pelos ombros e quero chegar
lá antes que me perca. Eu sou o moço da banca de revistas
e a atendente da livraria estudantil. Estou na parada de ônibus,
esperando. Sou eu no letreiro do lotação. Sou eu no botão
da sinaleira e sou eu descendo a lomba, feliz por me ver saindo pelos
poros, vertendo nanquim pelos dedos. Eu sou cada pegada e sou o caminho.
Sinto cada soco das palmas dos meus pés no peito. Queira eu que
chegue antes de me esfolar pelo asfalto e escorrer pela sarjeta. Eu sou
o rumo verdadeiro e a estrela polar. Uma bússola que aponta para
onde sou. Entre os restos do fim do expediente e os primeiros minutos
da noite, sou eu. Eu sou cada palavra que verte da minha testa e se esparrama
pelo chão. Sou eu quem pisa afoito em cada uma delas, querendo
carregar na sola do pé cada sílaba, cada feto de idéia.
Sou eu aqui nestas palavras e, aqui, serei sempre eu. E ninguém
mais é. Mesmo. Só eu sou eu.
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