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A evidência
da incomunicabilidade daqueles dois mundos manifestou-se através
do silêncio involuntário e dos sorrisos voluntários.
Como se o último ato se desculpasse pelo primeiro. Nada de epifanias.
A conversa era rasa e protocolar, exigindo um constante e penoso vasculhar
no léxico de atualidades inúteis.
Meu olhar nas estrelas.
A química achara seu sucessor natural na astronomia.
Cigarros e copos
alternavam-se na mesa como que para suprir o vácuo infértil
que ali se estabelecia. Em consonância, o relógio não
oferecia alento na sua lenta e dilacerante sucessão de instantes.
(Há que se
ter consideração e não sair correndo, embora seja
tentador.)
Escondido à
nossa volta, foi isso o que enxerguei. Realidade imperceptível
para ti, ainda impressionada com os meus olhos - fogo-fátuo na
tua noite pastoril.
(Eis meu plano: escaparei
amavelmente de tuas mãos, quase imperceptivelmente. Paulatinamente
não atenderei aos teus chamados telefônicos e jamais dirigirei
uma palavra grosseira a ti - não abrindo, assim, espaço
para verteres a tua passionalidade. Verás, se tiveres oportunidade,
estampado em meu rosto um sorriso asséptico, típico dos
bem-educados e, com, isso quase te contentarás, porque não
te oferecerei muito mais que uma meia-dúzia de comentários
complacentes e escorregadios.)
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