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Silêncio

 

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por Giuliana Giavarina
 

A evidência da incomunicabilidade daqueles dois mundos manifestou-se através do silêncio involuntário e dos sorrisos voluntários. Como se o último ato se desculpasse pelo primeiro. Nada de epifanias. A conversa era rasa e protocolar, exigindo um constante e penoso vasculhar no léxico de atualidades inúteis.

Meu olhar nas estrelas. A química achara seu sucessor natural na astronomia.

Cigarros e copos alternavam-se na mesa como que para suprir o vácuo infértil que ali se estabelecia. Em consonância, o relógio não oferecia alento na sua lenta e dilacerante sucessão de instantes.

(Há que se ter consideração e não sair correndo, embora seja tentador.)

Escondido à nossa volta, foi isso o que enxerguei. Realidade imperceptível para ti, ainda impressionada com os meus olhos - fogo-fátuo na tua noite pastoril.

(Eis meu plano: escaparei amavelmente de tuas mãos, quase imperceptivelmente. Paulatinamente não atenderei aos teus chamados telefônicos e jamais dirigirei uma palavra grosseira a ti - não abrindo, assim, espaço para verteres a tua passionalidade. Verás, se tiveres oportunidade, estampado em meu rosto um sorriso asséptico, típico dos bem-educados e, com, isso quase te contentarás, porque não te oferecerei muito mais que uma meia-dúzia de comentários complacentes e escorregadios.)