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Predador/presa

 

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por CassianoRodka
 
Observa a forma arredondada por horas a fio e estuda o melhor movimento de ataque.
É como se provocasse seus sentidos,
desafiasse seu desejo a se manter distante,
sabendo claramente que isso só o torna cada vez mais necessário.
Sua vontade sobrepõe a vida e ele pula no novelo vermelho com unhas e dentes.
Brinca um pouco com ele até vê-lo escorregar por suas patas.
Observa-o novamente, desconfiado.
Tenta dominá-lo mais uma vez,
abraça-o,
afaga-o,
arranha-o
carinhosamente.
Sente sua consistência macia,
morde
e testa os limites
dos fios laranja,
agora tão seus.
Numa patada mais forte,
afasta-o de si,
desenrolando o novelo em uma enorme linha amarela.
Não entende por que motivo o fez, se é que houve algum. Mas sente-se bem em tê-lo feito.
Olha as patas, lambe-se, olha a lã branca outra vez.
Olha a cauda, afia as unhas no carpete e olha com apatia a pálida amiga,
desconforme e desfiada e
deseja.
E o novelo atrai novamente o predador.
(Ou seria a presa?)
Ele pula sobre a bolinha de lã e se enrosca nos fios.
Destrói sua forma circular e é destruído por ela.
Seu coraçãozinho bate mais forte enquanto ele
morde os fios amarelos,
mastiga-os laranja,
puxa-os vermelhos
e dá patadas em um novelo cheio de cores e movimentos.
O novelo, então, desaparece, dando lugar a um amontoado de fios de lã cinza.
Olhando os fios espalhados, ele não compreende. E recorda um novelo novinho,
cheio de cor
e mistério.