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Eu já não sinto mais o antes da mesma forma. Estou organizada, sentada à beira da estrada. A mala é meu apoio. O vento quente e agradável sobe do asfalto e levanta minha saia. Olho para trás e já não sei mais de onde saí. Algumas cartas eu guardei no fundo da mala, com uma fita de cetim. Já estão amareladas, as letras tão gastas, nem me recordo das vozes quando as leio. Sem sentido. Um cachorro vaga pela estrada e me olha de lado, busca um afago e continua sua jornada. "É isso amigo", poderíamos ficar aqui parados, juntos, mas a estrada é do tempo de cada um. Mas você vai ficar guardado no retrato da minha memória. O jeito do seu olhar, atravessando de forma descuidada e cutucando minha mão com seu focinho. Daí eu amoleço e coço sua orelha. É quente, mas não abafado, é vazio e é silêncio, o mundo está suspenso, a hora aguarda tantos acontecimentos. Para nós dois. O cão vagabundo, a mala organizada, e a minha vida andarilha que já tem promessa de nova jornada. Mesmo que eu vá para a mesma cidade, ainda será nova história.
Quando é a gente que tá de mudança, basta apenas fazer a mala. |
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