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A rotina me deixou
exato.
E no conforto de teus braços, eu a beijo. Anseio o novo, mas temo
a mudança. E o medo me segura pelos calcanhares. E eu permito que
ele me arraste de volta a teus braços. E estamos juntos novamente.
Num velho abraço, confortável e gasto. E me sinto seguro.
E só assim penso em ti. No outro abraço. Um que desconheço,
que anseio, que temo. E puxo os velhos braços em torno de mim,
enlaçando-me concreto. Uma muralha de pele e ossos. E fecho meus
olhos para não te ver. E lá estás. Na minha mente,
o outro abraço. E assim duplamente abraçado, me deito no
colo da incerteza.
................................ Que abraço quero?
Mas então ela me puxa, exato. Ela me envolve e me aperta o crânio.
E me mostra o caminho traçado, os espinhos rasgados, os dias de
sol (onde estão os cinzentos?). E me mantém imóvel.
A segurança de ter esse abraço, cansado e murcho, mas meu.
O passado se insistindo presente e me oferecendo almofadas. Fujo de ti
porque és futuro. E corro tanto de mim mesmo, que durmo.
A rotina me deixou
exausto.
E nos meus sonhos, são tantos os braços. Que me puxam, empurram,
enlaçam. Mas que não me encontram. Voam ao meu redor como
um tufão, me batem, me apontam. E quando me encolho chorando, me
desfaço. E acordo não mais exato. Desprotegido, mas intacto.
Teus braços caídos, muralha desfeita. No carpete, restos
de tijolos e mágoas. E sinto falta do outro abraço. O que
desconheço, anseio e temo. E me levanto sonolento, pisando em cacos.
E saio em busca dele, o abraço que não é muralha.
Que me mantém aquecido, inexato. Que me envolve com os olhos e
me toca os cabelos. Que me protege na distância e não me
impede os movimentos. Que me enlaça em um sorriso. Que me fere
a pele quando é preciso. Um abraço que não se fecha
em mim, mas que permanece aberto ao me abraçar.
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