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Os golpes

 

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por Giuliana Giavarina
 

Os golpes furiosamente investidos contra as partículas coloridas durante a noite causavam horror nele logo pela manhã. Eram desmedidos, quando consideramos a irrisória ameaça que elas, de fato, representavam perante os rompantes cinza que tomavam conta, vez que outra, do seu temperamento.

Era durante a noite, descorada e desmedida, que tais tonalidades monocromáticas fatalmente apareciam e, entre um sonho e outro, ele deparava-se com essas amenidades (as inofensivas partículas) que tinham tomado formas desconcertantes desprovidas de cor.

E logo de manhã, no primeiro abrir de olhos, imerso no horror e nos destroços da batalha, ele tentava entender como aqueles pequenos holocaustos eclodiram em cadeia, impedindo seu descanso.

Deitado na cama que ainda consumia os lamentos residuais da noite anterior, via que o dia ostentava, lá fora, sua glória - um sol que brilhava sem trégua, iluminando e colorindo o quarto. E, como sempre, constatava que a vida seguia seu ritmo alheia aos infernos particulares.