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Os golpes furiosamente
investidos contra as partículas coloridas durante a noite causavam
horror nele logo pela manhã. Eram desmedidos, quando consideramos
a irrisória ameaça que elas, de fato, representavam perante
os rompantes cinza que tomavam conta, vez que outra, do seu temperamento.
Era durante a noite,
descorada e desmedida, que tais tonalidades monocromáticas fatalmente
apareciam e, entre um sonho e outro, ele deparava-se com essas amenidades
(as inofensivas partículas) que tinham tomado formas desconcertantes
desprovidas de cor.
E logo de manhã,
no primeiro abrir de olhos, imerso no horror e nos destroços da
batalha, ele tentava entender como aqueles pequenos holocaustos eclodiram
em cadeia, impedindo seu descanso.
Deitado na cama que
ainda consumia os lamentos residuais da noite anterior, via que o dia
ostentava, lá fora, sua glória - um sol que brilhava sem
trégua, iluminando e colorindo o quarto. E, como sempre, constatava
que a vida seguia seu ritmo alheia aos infernos particulares.
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