|
São os fogos
no ar explodindo sonhos em cor para quem pode acreditar. Para provar a
fé, pula-se com o pé direito para registrar: "Este
ano já começa melhor". Corre para o mar e deixa o sal
lavar as feridas, remédio de cicatrizar. De branco e novo, folha
limpa, todos desejam reescrever a vida. Novo ano. E quem vai me abraçar
e chorar quando olhar lá dentro de tudo que eu já fui?
É toda essa
promessa na noite comprida, esperando o novo anunciar. Por mais que a
filosofia arredia não me deixe afrouxar e que eu relute com toda
a força da sinapse, vou deixar o coração gritar quando
o relógio virar. Se nesse fragmento eu pensar em Deus - e só
eu saberei disso - pedirei uma segunda chance. Tal como menina malvada
ao pé da cama. Eu vou, "não custa tentar", é
o que dizem. É simpatia, a cor da calcinha, é hora para
tudo levar. E, aquele que sabe mais da vida, deixa essa noite sempre dentro
reverberar. E todo dia é promessa. E sempre é presente,
vive-se assim, vai entender, deixando o passado pra lá.
Se for daqui pra
frente, vou logo começar. Se for pra chorar, se é de rir,
nada vai escapar. Esta noite, só as emoções vão
levar. Deixo o medo para trás, deixo a história ida, mesmo
que ainda pouco entendida. Agora eu vou caminhar. Fechar os olhos e me
atirar. E só irei dormir quando o dia se projetar claro, com os
raios descendo límpidos para nascer o mundo.
Mas antes disso eu
vou segurar na sua mão distante e dizer que você pode pular.
E dessa vez você vai entender. E sorriremos sem precisar falar.
A noite vai se esticar toda bonita, nem seremos tão estranhos assim.
Podemos sentar no meio-fio, com um pouco de preguiça mole do álcool
e apenas olhar. "E quem disse que não é mágico?".
Deixe ser sempre
começo de janeiro aqui dentro. Entre com o pé na porta e
sem avisar. Me leve embora. 2007.
|
|