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Feliz novamente ano

 

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por Bianca Rosolem
 

São os fogos no ar explodindo sonhos em cor para quem pode acreditar. Para provar a fé, pula-se com o pé direito para registrar: "Este ano já começa melhor". Corre para o mar e deixa o sal lavar as feridas, remédio de cicatrizar. De branco e novo, folha limpa, todos desejam reescrever a vida. Novo ano. E quem vai me abraçar e chorar quando olhar lá dentro de tudo que eu já fui?

É toda essa promessa na noite comprida, esperando o novo anunciar. Por mais que a filosofia arredia não me deixe afrouxar e que eu relute com toda a força da sinapse, vou deixar o coração gritar quando o relógio virar. Se nesse fragmento eu pensar em Deus - e só eu saberei disso - pedirei uma segunda chance. Tal como menina malvada ao pé da cama. Eu vou, "não custa tentar", é o que dizem. É simpatia, a cor da calcinha, é hora para tudo levar. E, aquele que sabe mais da vida, deixa essa noite sempre dentro reverberar. E todo dia é promessa. E sempre é presente, vive-se assim, vai entender, deixando o passado pra lá.

Se for daqui pra frente, vou logo começar. Se for pra chorar, se é de rir, nada vai escapar. Esta noite, só as emoções vão levar. Deixo o medo para trás, deixo a história ida, mesmo que ainda pouco entendida. Agora eu vou caminhar. Fechar os olhos e me atirar. E só irei dormir quando o dia se projetar claro, com os raios descendo límpidos para nascer o mundo.

Mas antes disso eu vou segurar na sua mão distante e dizer que você pode pular. E dessa vez você vai entender. E sorriremos sem precisar falar. A noite vai se esticar toda bonita, nem seremos tão estranhos assim. Podemos sentar no meio-fio, com um pouco de preguiça mole do álcool e apenas olhar. "E quem disse que não é mágico?".

Deixe ser sempre começo de janeiro aqui dentro. Entre com o pé na porta e sem avisar. Me leve embora. 2007.