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Pegou a mão
dela com firmeza e a olhou nos olhos até vê-la sorrir.
Observou o amarelo dar lugar ao vermelho. À esquerda, um fusca
cinza freava; à direita, o hospital ainda em reformas. No ar, as
badaladas do sino da igreja imploravam por fiéis. O pé direito
antecedeu o esquerdo. Por instinto, não superstição.
Os cabelos dela dançavam ao vento. Uma buzina misturou-se à
sexta badalada. O som surdo de um Ford chocando-se com minha perna esquerda
acompanhou a sétima. Meu corpo golpeou o chão durante a
oitava. Por debaixo de um carro, a vi deitada sobre a faixa de pedestres.
Estendi minha mão na direção dela. Ela olhou para
a direita e me encontrou. Assustou-se com o vermelho que tingia minha
camisa amarela. Balancei a cabeça. Não devia se preocupar.
Apontei com os olhos para a minha mão esquerda. Ela compreendeu.
Por debaixo do carro, estendeu seu braço direito tremendo. Senti
o seu toque e segurei seus dedos pequeninos com firmeza. Fechei as pálpebras
e, por trás dos olhos molhados, a guardei.
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