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por Bianca Rosolem
 

Se eu pudesse ouvir o silêncio existente entre os vãos das estrelas quando, sozinha, caminho meu coração pela madrugada, eu entenderia. E este saber seria apenas um arrepio, como aquele quando se mergulha no mar de olhos fechados.
E talvez eu chorasse a lágrima mais pura e límpida, translúcida e viva. Eu seria toda de mim liquefeita neste tudo que abrigo.
Eu só peço por isso olhando a noite crescendo escura nos telhados. As luzes acendem, talvez apenas mais da vida. Eu já não sei muito bem o que brilha dolorido dentro: Uma força ou desespero. Não pode ser só noite e dia, há algo além. Eu sinto um cheiro estranho quando o mundo está suspenso, quando o céu ainda não despertou.
Eu só queria poder pular de algum lugar ensolarado, de costas para o infinito da queda. Soltar todo o corpo e não sentir mais esse pesado de humano. Eu sei que posso voar, e o céu hoje está tão bonito.
Eu quero a esperança dos fins de tardes, quando o horizonte reluz triste partindo. E neste momento, olhar para dentro de você sem precisar dizer. E neste átimo entender a eternidade.
Eu quero florescer morta como as flores pisadas nas calçadas, mas que ainda nos remetem à beleza da vida que foi.
Venha cá, eu já te sonhei essa noite, acalma essa febre de não saber mais chorar - estou escrevendo a loucura. Acabe com estes murmúrios que ouço por trás do som vulgar. É denso véu, mas eu sei, assim como aquele homem estranho que puxa as cortinas vermelhas. E ele que deixa para outro dizer - É o fim.