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Se eu pudesse ouvir
o silêncio existente entre os vãos das estrelas quando, sozinha,
caminho meu coração pela madrugada, eu entenderia. E este
saber seria apenas um arrepio, como aquele quando se mergulha no mar de
olhos fechados.
E talvez eu chorasse a lágrima mais pura e límpida, translúcida
e viva. Eu seria toda de mim liquefeita neste tudo que abrigo.
Eu só peço por isso olhando a noite crescendo escura nos
telhados. As luzes acendem, talvez apenas mais da vida. Eu já não
sei muito bem o que brilha dolorido dentro: Uma força ou desespero.
Não pode ser só noite e dia, há algo além.
Eu sinto um cheiro estranho quando o mundo está suspenso, quando
o céu ainda não despertou.
Eu só queria poder pular de algum lugar ensolarado, de costas para
o infinito da queda. Soltar todo o corpo e não sentir mais esse
pesado de humano. Eu sei que posso voar, e o céu hoje está
tão bonito.
Eu quero a esperança dos fins de tardes, quando o horizonte reluz
triste partindo. E neste momento, olhar para dentro de você sem
precisar dizer. E neste átimo entender a eternidade.
Eu quero florescer morta como as flores pisadas nas calçadas, mas
que ainda nos remetem à beleza da vida que foi.
Venha cá, eu já te sonhei essa noite, acalma essa febre
de não saber mais chorar - estou escrevendo a loucura. Acabe com
estes murmúrios que ouço por trás do som vulgar.
É denso véu, mas eu sei, assim como aquele homem estranho
que puxa as cortinas vermelhas. E ele que deixa para outro dizer - É
o fim.
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