|
No setor de livros
infantis de uma grande livraria da cidade, uma mãe ajuda o filho
pequeno a escolher títulos para a sua biblioteca.
O menino escolhe
alguns livrinhos, e logo vai correndo até um mini aparelho de som
instalado perto dos livros, com CDs infantis para ouvir e com um fone
de ouvidos um pouco gigantesco para as pequenas cabeças das crianças.
O menino ouve e sorri.
A mãe do menino,
observando de longe, percebe que uma menina de uns seis ou sete anos aproxima-se
do menino e coloca, gentilmente, uma cadeirinha para que o menino sente-se
enquanto ouve música. Pensa consigo: "É impressionante
como as mulheres começam a desenvolver cedo os mecanismos de sedução!".
O menino logo se
cansa, vêm até a mãe, e lhe sussurra ao ouvido, "Mamãe,
você não vai falar pra ela, mas eu achei tão carinhosa
aquela menina...". A mãe sorri, achando a maior graça,
e confirmando seu pensamento anterior: "Funcionou...!".
A menininha vem,
fica meio que rondando a mãe e o menino. A mãe do menino
pensa por onde andará a mãe da menina. Tão pequena,
ali, solta.
O filho continua
olhando outros livrinhos, senta em uma mesinha e vira as páginas
com entusiasmo. A menina dirige-se a uma das prateleiras, olha fixo para
um livro grande, de capa dura e branca, com desenhos de uma uma menina
e um menino peladinhos. A mãe do menino confere o título:
"De onde eu vim?", ou algo parecido. A menina comenta para ela
mesma, "Hum, este deve ser legal". Vai sentar na mesinha, começa
a virar as páginas. A mãe do menino ainda não consegue
perceber se ela sabe ler ou não. "Ah, que bonitinho isso daqui!",
e continua folheando o livro. Pára em uma página, enquanto
a mãe do menino acompanha, curiosa, os olhinhos vivos da menina
ao ver o livro: "Ih, isso daqui eu não entendi". A mãe
do menino olha furtivamente para a página: espermatozóides
desenhados, um bando deles, nadando em direção a um óvulo.
"Iiihhh...". A menina se aproxima da mãe do menino, (que
já está em pânico!), com o livro nas mãos:
"O que é isto daqui, parecem uns peixinhos, eu não
entendi". A mãe do menino pensa, "Era só o que
me faltava ensinar sexo para uma menina de seis anos desconhecida em uma
livraria, eu mereço!". A mãe do menino olha o livro
e pergunta, "Você sabe ler?", e ela, "Não".
(Ufa, menos mal, que alívio). A mãe do menino percorre nervosa
os olhos pela livraria, tentando localizar a mãe da menina, sendo
que ela não faz a mínima idéia de como a mulher é.
A menina pergunta de novo, e a mãe do menino, pega absolutamente
de surpresa, imaginando que seria uma loucura começar a explicar
sexo pra menina, vai que a mãe dela aparece, e pensa, "O que
esta doida pensa que está falando pra minha filha, sem minha autorização?!",
e a mãe do menino apenas diz, "Ah, este livro não é
para a sua idade, pega outro ali, vai!". A menina olha com cara de
decepção para a mãe do menino. Grita pela mãe
dela, que demora a aparecer, mas aparece, e a menina vai dizendo, enquanto
a mãe do menino meio que se esconde atrás de outro livro,
"Eu não entendi isso daqui e daí ela falou para eu
pegar outro", e a mãe da menina segura o livro, olha a capa,
"Ah...", fica uns segundos pensando no que vai fazer, "Ai,
meu Deus, não esperava ter que dar aulas de sexo para a minha filha
de seis anos no meio de uma livraria de shopping em frente a estranhos!",
mas, não perde o rebolado: pega umas almofadas do chão,
senta-se com a menina, e começa a explicar tudinho, com o jeito
mais doce do mundo.
A mãe do menino
finge que está lendo um livro do Harry Potter, mas em realidade
fica ouvindo atentamente a "companheira de luta" em um dos momentos
mais difíceis do doce ofício. Inesperado tão esperado.
Um dia ia ser a sua vez também, e queria estar preparada.
|
|