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Por onde andam nossos ícones?

 

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por Elaine Santos
 

Estou prestes a viajar e tudo que me consome no momento é a ânsia de estar na sala de embarque. Mais do que isto, é estar com a mala na mão, sorrisão estampado, olhos famintos, ouvidos bem abertos e o pé já na saída de desembarque em uma cidade que não é a minha.

A última empreitada do gênero foi feita há exatos 10 anos e as referências eram outras, por isso hoje a bagagem é mais sustentável e objetiva. Ao invés de meros sonhos, carrego já comigo a listinha do que pretendo fazer. Outrora quis me jogar sem destino, desbravar sem limites e sem me preocupar com a volta. Esqueci rumos. Foi puro deslumbre. Hoje tenho data de volta.

Agora o que me leva até lá é nada mais nada menos que a música. Não vou como artista, já que não sou uma, mas como ouvinte mais atenta atrás dos meus ídolos. Há tempos que reclamo que a música não produz mais ícones como David Bowie, Iggy Pop, Radiohead, Joy Division e mais uma imensa lista que parece ter se encerrado com Kurt Cobain.

E agora eu com minha lista do que eu quero ver ao vivo e entre tantas opções eu descobri que sim, eu tenho um ícone. Eles vieram do final dos anos 90, mas estouraram por aqui já no ano 2000. No início eram comparados ao Joy Division, Echo & The Bunnymen e tachados de terem fincado seus acordes nos anos 80 e recebido críticas por seu figurino sempre impecável. Interpol é hoje a banda que me tira o fôlego, que me aconchega, que me traz de volta meus tempos de grande ídolos. O Interpol, e não só para mim, é sim uma das melhores bandas de rock produzida nos últimos dez anos, afinal neste período surgiram outras bandas que pareciam ter chegado para revolucionar o cenário rock´n roll, mas começou a desaparecer após a chegada de um segundo CD.

O Interpol é Interpol. Esqueçam as comparações, por mais que as críticas insistam nelas. Com a chegada do seu terceiro CD, Our Love To Admire, eles se tornam convincentes. É um CD para se ouvir incessantemente para se adaptar a sua nova sonoridade, que não se rendeu às facilidades pop, que hoje é o universo em que o rock se encontra. O rock ficou pop. Interpol não.

E hoje é Interpol quem me faz entrar em contagem regressiva para atravessar o oceano em meio ao inverno, abrir mão de outros bons festivais que acontecem por aqui, porque talvez eles sejam um dos últimos ícones que eu consiga ter, porque tenho gostado de muita coisa, mas elas têm durado bem pouco.