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Da fita cassete para o playlist

 

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por Elaine Santos
 

Há dias que venho discutindo o que poderia escrever sobre música sem ser sobre bandas, sem martelar sobre os mesmos questionamentos de que, apesar de muita banda bacana surgir, elas estão muito parecidas, de querer saber se daqui a 20 anos teremos bandas que resistiram ao tempo e mantiveram sua genialidade. E em meio a esse bate-papo todo surgiu algo interessante que me jogou no túnel do tempo e me deixou nostálgica por uns bons dias.

Parei em "high fidelity", que é um bom exemplo de como resistir às grandes mudanças que muitas vezes fazem-nos sentir órfãos de nossas pequenas preciosidades, como o vinil, que hoje, além de caro, é quase uma raridade, tanto que algumas bandas têm lançado edições especiais em vinil, como o Bonde do Rolê e Tetine.

Ao pensar nos meus velhos vinis, hoje todos empoeirados num canto na casa dos meus pais, trouxe à tona minhas caixas velhas de sapato cheias de fitas cassetes e como elas eram produzidas. E acabei iniciando uma discussão com alguns amigos que são "de antigamente" como eu de como as coisas mudaram.

Dar fitas cassetes com nossas músicas preferidas para alguém era sempre surpreendente. Era dividir muito além das músicas. Era compartilhar nosso tempo, afinal gravar uma fita não era tão simples, já que "copy & paste" não existia, o que tornava tudo artesanal. Lembro-me de sentar em frente à minha vitrola, espalhar meus discos pelo tapete da sala e passar horas preparando a minha fitinha. Depois ainda tinha a excitação de entregá-la e ansiosamente esperar pela resposta se a pessoa curtiu ou não o meu presente.

Aí surgiu o CD. Inicialmente não era uma tarefa simples copiá-lo, mas não demorou muito para substituir as velhas fitas. A música se tornou mais acessível, democrática, mas lá se foi o charme de gravar cassetes. No início da nova era ainda gastávamos nosso tempo fazendo listinhas e gravando CDs que ficavam prontos em dez minutos, o que deixou de ser original.

Hoje em dia a fita cassete se tornou raridade e o CD já começa a desaparecer. O mundo anda mais musical, porém a música que antes aproximava, agora afasta. É a música e o "ser". Hoje em dia compartilhamos playlists, os quais não dão trabalho para criá-los, já que temos ferramentas on-line que os cria a partir do que ouvimos em nosso computador.

Concordei com um amigo quando ele disse que esse é um dos fatores de que grandes nomes na música não mais existirão. Continuarão surgindo milhares de grupos pequenos, alguns continuarão estourando, mas serão substituídos assim como nossos playlists que mudam o tempo inteiro. E as fitas cassetes ficam cada vez nas lembranças mais remotas.