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Há dias que
venho discutindo o que poderia escrever sobre música sem ser sobre
bandas, sem martelar sobre os mesmos questionamentos de que, apesar de
muita banda bacana surgir, elas estão muito parecidas, de querer
saber se daqui a 20 anos teremos bandas que resistiram ao tempo e mantiveram
sua genialidade. E em meio a esse bate-papo todo surgiu algo interessante
que me jogou no túnel do tempo e me deixou nostálgica por
uns bons dias.
Parei em "high
fidelity", que é um bom exemplo de como resistir às
grandes mudanças que muitas vezes fazem-nos sentir órfãos
de nossas pequenas preciosidades, como o vinil, que hoje, além
de caro, é quase uma raridade, tanto que algumas bandas têm
lançado edições especiais em vinil, como o Bonde
do Rolê e Tetine.
Ao pensar nos meus
velhos vinis, hoje todos empoeirados num canto na casa dos meus pais,
trouxe à tona minhas caixas velhas de sapato cheias de fitas cassetes
e como elas eram produzidas. E acabei iniciando uma discussão com
alguns amigos que são "de antigamente" como eu de como
as coisas mudaram.
Dar fitas cassetes
com nossas músicas preferidas para alguém era sempre surpreendente.
Era dividir muito além das músicas. Era compartilhar nosso
tempo, afinal gravar uma fita não era tão simples, já
que "copy & paste" não existia, o que tornava tudo
artesanal. Lembro-me de sentar em frente à minha vitrola, espalhar
meus discos pelo tapete da sala e passar horas preparando a minha fitinha.
Depois ainda tinha a excitação de entregá-la e ansiosamente
esperar pela resposta se a pessoa curtiu ou não o meu presente.
Aí surgiu
o CD. Inicialmente não era uma tarefa simples copiá-lo,
mas não demorou muito para substituir as velhas fitas. A música
se tornou mais acessível, democrática, mas lá se
foi o charme de gravar cassetes. No início da nova era ainda gastávamos
nosso tempo fazendo listinhas e gravando CDs que ficavam prontos em dez
minutos, o que deixou de ser original.
Hoje em dia a fita
cassete se tornou raridade e o CD já começa a desaparecer.
O mundo anda mais musical, porém a música que antes aproximava,
agora afasta. É a música e o "ser". Hoje em dia
compartilhamos playlists, os quais não dão trabalho para
criá-los, já que temos ferramentas on-line que os cria a
partir do que ouvimos em nosso computador.
Concordei com um
amigo quando ele disse que esse é um dos fatores de que grandes
nomes na música não mais existirão. Continuarão
surgindo milhares de grupos pequenos, alguns continuarão estourando,
mas serão substituídos assim como nossos playlists que mudam
o tempo inteiro. E as fitas cassetes ficam cada vez nas lembranças
mais remotas.
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