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Regina Duarte já
bem nos alertou com suas palavras: eu tenho medo. E Turistas, antes mesmo
de chegar às telas do país, gerou diversas manifestações
contra sua exibição. Seria um filme que denigre a imagem
do país. Grande besteira.
No filme do diretor
John Stockwell, o mesmo de Gostosa Loucura (um filme competente, por sinal),
um grupo de adolescentes americanos passa as férias no Rio de Janeiro.
O ônibus em que viajavam, rumo ao nordeste, estraga e eles precisam
caminhar - uma grande idéia, como os leitores já perceberam.
Eles vão a festas, bebem e se divertem com o povo brasileiro. Mas
eles não perdem por esperar.
Quer dizer, isso
depois de quase uma hora de filme, quando alguma coisa enfim começa
a acontecer, e eles são aprisionados e tem seus órgãos
retirados para venda. Existe uma justificativa, inclusive, para o ato.
Cansamos de ser explorados pelos gringos. Realmente, é uma trama
inspirada. O filme não aposta no suspense. Não há
qualquer cena tensa. Decide enveredar por outra moda atual: a das imagens
repugnantes. Azar, porque nenhuma cena dá nojo. Os órgãos
vão sendo retirados e lá vem o bocejo.
Vários fatores
contribuem para o fracasso do filme. Assisti esperando que fosse achar
a visão do Brasil engraçada, mas sequer isso. Em primeiro
lugar, os personagens praticamente inexistem. Eles apenas estão
ali para morrer e nenhuma característica os marca. Geralmente os
filmes desse estilo não desenvolvem os personagens, é verdade,
mas pelo menos identificamos a gostosa, o gordo burro, o garanhão,
o nerd... Não em Turistas. Seria mentira, por outro lado, não
dizer que duas personagens são reconhecíveis: a americana
que fala mau português e o brasileiro que fala péssimo inglês;
mas isso pouco importa. Sem interesse por qualquer personagem fica difícil
acompanhar o filme, ficando a situação mais alarmante no
quesito interpretação. As atuações são
todas de lascar.
Mal dirigido e sem
noção do ritmo de suspense, o filme jamais deslancha. O
Brasil aparece como um lugar com mulheres oferecidas e gananciosas, com
muita bebida, sexo, suor e animação. Até a virada
para o lado negro, o tráfico de órgãos, assassinos
loucos.
A revolta fez com
que algumas pessoas sugerissem o boicote, mas um filme ruim assim nem
precisaria disso. E quem se importa? Ninguém vai passar a ter mais
medo do Brasil, lá fora. Quem tem vai seguir tendo, quem não
tem vai seguir não tendo. Não é preciso temer que
o turismo caia, portanto. Mas como alertou Regina é preciso ter
medo, sim. De enfrentar a sessão.
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Paloma
Duarte era contra a campanha em prol do medo. E vocês não
precisam ter receio de assistir a Notas Sobre um Escândalo, de Richard
Eyre, diretor do bonito Iris. Especialmente pelas interpretações
de Judi Dench e Cate Blanchett, fantásticas. Se o final parece
mais de filme de suspense e é um tanto fraco, o resto do filme
é digno e merece ser visto.
Também
não assustem-se com Borat, que é inteligente e divertido.
Os fãs de comédia romântica podem conferir Letra e
Música, que funciona especialmente pelo casal Hugh Grant/Drew Barrymore
e alguns momentos divertidos. Também merecem atenção
os filmes de Clint Eastwood A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima
(embora o primeiro agora só em DVD...) e Pro Dia Nascer Feliz,
um ótimo documentário de João Jardim (Janela da Alma)
sobre a educação brasileira que, essa sim, dá medo.
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