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por Moisés Westphalen
 

Estranho, já fazia um bom tempo que não escrevia aqui no PáginaDois e estava com dificuldades para escolher um assunto para esse (mega) retorno, prolongado além do esperado, aliás, por motivos variados. Tenho assistido a diversos seriados, atualmente, nem tantos filmes, mas alguns muito relevantes como Jogo de Cena, do Eduardo Coutinho - um filme incrível que, por sinal, só melhora quando penso a respeito. Não conseguia tomar uma decisão.

Anteontem, passei em uma loja e encontrei por R$12,90 um filme - As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless, no original) - dentre vários outros. Já há muito tempo planejava comprar e, agora, o preço estava acessível. Não tive qualquer dúvida e fiquei feliz com minha aquisição. Já assisti ao filme, desde seu lançamento, umas quinhentas mil vezes. É um daqueles poucos que, quando estão passando em qualquer canal de TV, eu paro e acabo assistindo novamente. Hoje fui assistir aos extras do filme e, de repente, escolhi o tema de meu texto.


As Patricinhas revelou nomes como Alicia Silverstone, Paul Rudd e Brittany Murphy. É mais conhecido como um clássico da Sessão da Tarde. E, para as pessoas em geral, não passa muito disso. Foi o que descobri ao perceber a reação de alguns, quando disse ter adquirido o filme.

- Ah, até é divertido, mas nunca pra se comprar.
- Esse filme passa todo dia na TV.

Enfim. Será que as pessoas não percebem o quanto esse filme é bom? Na última vez em que vi por acaso na televisão, me surpreendi com o ótimo roteiro, cheio de diálogos inteligentes e inspirados. Talvez seja o tema, as patricinhas e seus romances e roupas e estereótipos de escola, que faça com quem se tire conclusões precipitadas, ou não se pense muito a respeito. Quem dera se os filmes que focam o mundo adolescente, em geral, tivessem metade da esperteza deste. Apesar de retratar um mundo de futilidades, o filme não é vazio e nem seus personagens.

É divertido perceber que o filme faz um retrato, de certa forma, fiel daquela época. Exagerado, claro, mas capta perfeitamente o espírito. Os adolescentes, em dez anos, o filme é de 1995, mudaram muito. Por exemplo, não sei como seria a reação de um jovem de onze anos, minha idade ao assisti-lo pela primeira vez, diante dele. Talvez não seja tão diferente assim, mas é; ao mesmo tempo. O filme preserva uma certa inocência, especialmente perceptível na personagem de Alicia Silverstone, Cher, que, sei lá eu, talvez não seja de fácil identificação com os (bem) jovens de hoje.

Tudo que sei é que é um grande filme, de uma diretora e roteirista que não tem acertado. Seus últimos longas, O Otário (Loser, 2000) e Nunca É Tarde Para Amar (I Could Never Be Your Woman, 2007) foram muito criticados. Do primeiro não lembro nada. Já Nunca É Tarde é, de fato, um filme bastante problemático, mas que tem algum mérito ao retratar os tempos de agora. Picardias Estudantis, o filme que tornou o nome de Amy conhecido, ainda é inédito para mim. Há boas recomendações a respeito.

Saiba que agora é hora de rever seus conceitos, portanto. Se você, querido leitor, pensa que esse filme é apenas uma sessão da tarde como qualquer outra, dê uma passada na locadora e depois converse comigo.