13 de Outubro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

                E vocês já viram a coleção fantástica sobre cinema europeu que a Folha de São Paulo está disponibilizando? Se não viram ainda, dêem uma olhadinha: http://cineeuropeu.folha.com.br/. A coleção é bem variada e pega desde Metropolis (1927), do Fritz Lang, até Volver (2006), do Almodóvar. Cada filme ainda é acompanhado por um livrinho muito bacana, que fala do diretor, do filme, dos atores principais, das trilhas sonoras... 25 filmes de 25 diretores diferentes, quase todos eles clássicos. Nem precisa perguntar, é claro que eu estou fazendo a coleção... e por que não comprei inteira? Ah, vai dizer que não é bem mais bacana comprar um filme por semana? Ficar esperando o lançamento, ir buscar, voltar para casa com o livrinho... as vezes já lendo o livrinho no ônibus. Enfim, fica a dica. Há dois anos a Folha tinha feito uma outra coleção, “Clássicos do Cinema”, que eu também fiz (https://secure.folha.com.br/folha/classicosdocinema/manutencao.asp). Posso garantir que valeu a pena.

                Tentando correr atrás, pelo menos um pouco, dos lançamentos que eu andei deixando para trás, ontem fui assistir “Os Três Mosqueteiros” (The Three Musketeers, Paul S. W. Anderson, 2011). E era melhor, enfim, não ter ido. Eu tinha visto o trailler e tinha imaginado uma releitura do clássico nos mesmos moldes que Guy Pearce fez com Sherlock Holmes (Sherlock Holmes, 2010). E eu realmente acho que ele tentou isso. Não tinha como dar errado, certo? Quer dizer, o livro de Alexandre Dumas é fantástico e tem um ritmo alucinante, não dá para estragá-lo nem querendo, certo? Bom, ontem eu descobri que dá, sim. Tudo bem que eu não poderia esperar muita coisa de um diretor que é celebre pela série Resident Evil e por ter feito Alien VS Predador... mas ainda assim o resultado me surpreendeu de tão ruim.

 

                O roteiro tem buracos. Muitos buracos. O encadeamento simplesmente não faz sentido, é forçado. Forçado até é elogio, porque isso pressupõe que ele existe, o que eu ainda não tenho certeza. Os personagens mais profundos do livro, Athos e Milady, são de uma simplicidade franciscana nesse filme. Nem mesmo a Mila Jovovich, que além de ser linda tem bons trabalhos, conseguiu salvar Milady de Winter. Já Matthew Macfadyen, o Athos, não consegue passar nada além de um... descornado. Dentre os atores salva-se (em parte) Christoph Waltz com um Cardeal Richillieu razoável (mas muito, muito parecido com o personagem de Waltz em Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, Tarantino, 2009). O pobre do menino (Logan Lerman) que escolheram para fazer o D´Artagnan não tem culpa se o personagem ficou ridículo com o corte que o roteiro fez. Nem dá para avaliá-lo. E o fim do filme... alguém entendeu? O que o Buckinghan está indo buscar? Os diamantes? Mas ele nem sabia deles... O Airship? Mas ele tem trocentos... enfim, teremos a sequência, o fim do filme já garante.

                Fiquei sinceramente com saudades da versão de Stephen Herek, de 1993. O drama do Athos ali é muito mais bem explorado por um amargurado Kiefer Shutterland, que está ótimo no papel. Sim, você não vai conseguir ver o filme sem pensar no Jack Bauer. E se eu te disser que o mosqueteiro religioso, Aramis, aquele que quer ser padre, foi interpretado por Charlie “Harper” Sheen? Pois é, eu sei. Mas o filme é bom e Chris O´Donnel faz um D´Artagnan bacana assim como Rebecca de Mornay é Milady de Winter na medida certa.

                “Os Três Mosqueteiros” (2011) é diversão rasa de Sessão da Tarde, no maior estilo “essa turminha endiabrada apronta mil e uma confusões num clima de muita azaração”. Tropeça em todos os clichês possíveis e inventa mais alguns, se é que isso é possível. “Ah, você está detonando demais o filme!”, você pode dizer. Acredite, é de menos. E eu nem falei em airships.

                Fica também a dica de uma reflexão bem humorada sobre clichês de cinemão que eu achei no blog das Garotas Nerds (http://garotasnerds.com/), que foi tirado do Festival Internacional de Cinema Latino de Nova Iorque. Watch Films, not Movies: http://garotasnerds.com/cinema/cliches-do-cinema/

 
Até o poster do filme não é original...

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15 de Setembro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

Deixa eu passar um pano úmido por aqui. Aliás, vou varrer também. Esse espaço estava todo abandonado e jogado às traças... Desculpem-me, por favor! Uma série de questões pessoais acabou fazendo com que eu não conseguisse cumprir meus compromissos com o Página Dois. Agora, com tudo resolvido, espero conseguir voltar à minha velha regularidade de postar todas as quintas-feiras. Sinto-me na obrigação de, nessa retomada, falar um pouco dos filmes que andei assistindo por esses tempos.

Eu vi “X-Men: Primeira Classe” (X-Men: First Class, Matthew Vaughn, 2011). O filme deixa de lado a trilogia cinematográfica já existente (o primeiro filme (bom) de Bryan Singer, o Segundo (ótimo) também dele e o terceiro (confuso) de Brett Ratner) e o filme avulso de Wolverine (X-Men Origins: Wolverine) e trabalha com coisas que teriam acontecido antes do primeiro filme, sem, entretanto, afirmar se há ou não uma conexão entre eles. Deixando de lado a confusa cronologia dos 50 anos de história dos X-men o filme investe numa trama própria, redefinindo e reapresentando alguns personagens. Se o roteiro tem alguns furos o filme se sustenta numa produção caprichada e em duas excelentes atuações: James McAvoy e Michael Fassbender representam os protagonistas, os jovens Charles Xavier e Magneto, respectivamente. Se ambos conseguiram fazer valer os papeis Fassbender faz valer o filme. Isso que a missão dele era ingrata, viver na juventude um personagem que, em idade mais adulta, já foi interpretado por nada mais, nada menos que Sir Ian “Gandalf” McKellen. O ator alemão (que  já tinha sito ótimo em “Bastardos Inglórios) deu conta do recado e nos deixa, ao fim do filme, com vontade de quero mais. Não sei se haverá “X-Men: Segunda Classe” (até porque, vamos combinar, esse título não ajudaria...), mas ele teria que começar obrigatoriamente por Michael Fassbender.

 

“Meia Noite em Paris” (Midnight in Paris, 2011) é um filme de Woody Allen. Só essa frase já seria suficiente para saber a minha opinião sobre ele. Eu sou um fãzoca confesso do narigudo mais antissocial de Nova Iorque, então você sempre tem que levar isso em conta quando ler a minha opinião sobre ele ou qualquer filme dele. Tirando fora meus arroubos de fã, “Meia Noite em Paris” foi elogiadíssimo. E com razão. Allen saiu-se muito bem em fugir da armadilha cinematográfica que Paris representa mostrando a cidade e todos os seus pontos clássicos no primeiro minuto do filme, algo do tipo “oquei, aí está o que vocês queriam, agora me deixem contar a minha história”. O filme se passa em Paris mas não tem a Torre, o Arco e o Rio o tempo inteiro. Quando aparecem, é como pano de fundo mesmo. O discurso do filme volta a uma ideia que vem sendo recorrente nesses filmes da “terceira idade” de Allen: aproveite a vida, o aqui e o agora. Viva o hoje, não o amanhã e muito menos o ontem. Seja feliz. Pode parecer simples, mas os dilemas de Allen e de sua persona surpreendentemente bem encarnada por Owen Wilson nos fazem rir e pensar em situações e momentos vividos por nós mesmos. E, se não bastasse tudo isso, ainda tem a Carla Bruni. Já estou ansioso pelo próximo trabalho de Allen, uma homenagem a Fellini filmada na Itália. Espero que seja ótimo como “Meia Noite em Paris” ou “Tudo Pode dar Certo” (Wathever Works, 2009) e não meia-boca como “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (You Will Meet a Tall Dark Stranger, 2010), de longe o piorzinho dele desde a “guinada europeia” dele.

 

Saindo fora um pouco do esquema “cinemão”, assisti um argentino chamado “Chuva” (Lluvia, Paula Hernández, 2008). Os argentinos e uruguaios, recentemente, andam com filmes excelentes. Já falei sobre isso, aliás, em alguns posts. Esse não foge a regra. “Chuva” é a história de uma mulher que busca fugir de si mesma e, no caminho, cruza com um homem que tenta desesperadamente se encontrar. É um filme sobre silêncios, sobre olhares e sobre pessoas. É um filme triste, e um filme bonito. E passa-se em Buenos Aires, que é uma bela moldura também.

 

Outro bom filme (e muito triste também) que eu vi nesses tempos foi “A Vênus Negra” (Vénus Noire,  Abdellatif Kechiche, 2010). O diretor e roteirista, um tunisiano que vive na França, conta a história real de Saartje Baartman, uma sulafricana que, no início do século XIX foi para a Europa tentar ser uma estrela e acabou como estrela de um freak show como uma “selvagem” capturada na África. O filme tem cenas fortíssimas e abre portas para reflexões num momento em que discursos racistas e xenófobos cada vez mais ganham curso na Europa. A atriz cubana Yahima Torres está brilhante no papel principal, em sua estreia no cinema. É um filme imperdível. Mas não tenha nada de muito animado para fazer depois de assisti-lo.

 

Ah, e eu também assisti “A Árvore da Vida” (The Tree of Life, Terrence Mallick, 2011). O que dizer sobre o filme? Bom, é grandioso, pretensioso e beira a megalomania. Eu desisti de tentar entendê-lo. Mas gostei, e muito. E de quebra ele ainda tem Brad Pitt, que cada vez mais se afirma como o Marlon Brando da sua geração. Veja “A Árvore da Vida”. Mas não tente entendê-lo. Os debates entre fé e razão, graça e providência, evolucionismo e criacionismo, destino e nihilismo estão todos ali. Malick é um diretor que não faz concessões. Deixe-se levar pela plasticidade das imagens, já que o diretor em alguns momentos chega nos limites do abstracionismo. Sinta o filme, sinestesicamente, e tenha certeza que ele vale pela experiência sensorial, no mínimo. Para mim valeu bem mais que isso. Mas, por favor, não me pergunte por quê.

 

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02 de Junho de 2011 | Postado por Pedro Cunha

Caminho da Liberdade (The Way Back, Peter Weir, 2010)

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Antônio Machado, poeta sevilhano.

 

Peter Weir é um cineasta cuja obra compõe um conjunto bem interessante. Em 1990 foi injustiçado no Oscar, quando concorreu com “Sociedade dos Poetas Mortos” (Dead Poets Society, 1989) e perdeu o prêmio de Melhor Filme para mediano “Conduzindo Miss Daisy” (Driving Miss Daisy, Bruce Beresford, 1989) e o de Melhor Diretor para Oliver Stone com o ótimo “Platton” (1989). Em 1998 Weir fez um dos filmes mais instigantes dos anos 90, que passou um tanto subestimado na época, na minha opinião. “O Show de Truman” (Truman Show, 1998) antecipou muitas das críticas que viriam aos reality shows e faz, principalmente nas magistrais cenas finais, uma serie fantástica de reflexões sobre livre-arbítrio e a existência humana. Além disso foi o filme que convenceu muita gente (a mim, inclusive) que Jim Carey pode ser um excelente ator.

 

“Caminho da Liberdade” traz novamente algumas dessas questões. O roteiro é baseada numa espantosa história real: durante os anos 1940 um grupo de prisioneiros foge de um gulag soviético na Sibéria. Para escapar dos domínios soviéticos eles atravessaram a Sibéria em direção à Mongólia. Chegando lá e descobrindo que a Mongólia havia tornado-se também socialista, seguem caminhando. Atravessam o deserto de Gobi e o himalaia para pedir asilo na Índia, depois de terem marchado por fantásticos seis mil e quatrocentos quilômetros, atravessando os rigores do frio, do deserto, da montanha e da fome. Seria forçado, não fosse real.

 

A parte boa do filme de Weir são os momentos em que os personagens (e nós mesmos) nos perguntamos: afinal, por que continuam? O que leva alguém a se submeter às mais duras e rigorosas condições de sobrevivência (im)possíveis? Alguns dos personagens do filme tentam responder a pergunta. O protagonista é o polonês Janusz (Jim Sturgees, o mesmo de “Across the Universe), que obstinadamente busca encontrar sua esposa para dizer para ela que não a culpa pela delação (forçada por tortura) que levou à condenação dele. Não a busca pela liberdade, mas a busca de perdoar foi o que fez Janusz liderar um grupo multietnico na travessia da ásia. No grupo destacam-se as figuras de um criminoso comum russo, Valka (Colin Farrell) e de um enigmático norteamericano (Ed Harris, que já havia trabalhado, e bem, com Weir em “Show de Truman”). A grandiosidade da jornada é mostrada também pelo show de fotografia do filme: um festival de tomadas abertas, grandes planos mostrando a infinitude do gelo, do deserto ou da montanha em contraponto com a pequenez humana. Só essa ambientação e a fotografia já fazem do filme um daqueles que a gente pode ver no “mudo”, não fosse isso um pecado com uma trilha sonora bastante bem construída.

 

O pecado do diretor, para mim, é não aprofundar nas outras histórias do grupo. O ritmo lento do filme permitiria que se fizesse isso, mostrando um pouco do que fazia com que aqueles homens (e aquela mulher) caminhassem tão obstinadamente, sem desistir. Com a exceção do protagonista, conhecemos muito pouco daqueles personagens, o que contribui para que o envolvimento com o filme seja menor do que poderia ser. Além disso o tom da crítica política do diretor, em especial no final do filme, fica um pouco forçado demais.

 

“Caminho da Liberdade” é um filme para se ver com tempo, porque é daqueles que cansa. Mas não deixa de ser uma experiência interessante.

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12 de Maio de 2011 | Postado por Pedro Cunha

 

Thor (Kenneth Branagh, 2011)


Aquele que erguer o martelo, se for digno, receberá o poder de Thor

Quando os Estúdios Marvel anunciaram Kenneth Branagh como diretor de “Thor” eu me inclui entre os muitos que acharam a escolha acertada, porém inusual. Branagh se tornou célebre como diretor de adaptações de Shakespeare para o cinema, como “Henrique V” (Henry V, 1989), Muito Barulho Por Nada (Much a Do About Nothing, 1993) ou Hamlet (1995). Além dos filmes shakesperianos Branagh também se notabilizu por uma série de filmes “sérios”, digamos assim. Eu ainda acho “Voltar a Morrer” (Dead Again, 1991) o melhor trabalho do diretor. Nada melhor, diziam muitos, do que um diretor de clássicos shakesperianos para fazer um filme sobre mitologia nórdica. A grande questão que me incomodava era outra, porém: “Thor” seria um filme sobre mitologia nórdica ou um filme sobre quadrinhos? E sendo um filme sobre quadrinhos, conectado, conforme já sabíamos, com as franquias do Homem de Ferro e do Hulk, será que Branagh ia: 1) entender isso? E 2) dar conta do recado?

Tendo finalmente visto o filme, posso responder as perguntas. A primeira eu respondo com um categórico “sim”, ele entendeu isso. “Thor” funciona em harmonia com os dois “Homens de Ferro” e com o segundo “Hulk”, os filmes dos Estúdios Marvel. Já a segunda pergunta... bom, não tenho tanta certeza assim.



A
sgard, a Cidade Dourada: Ok, podia ser um pouco menos dourada...

O roteiro de “Thor” é a clássica história de redenção: um deus, um príncipe arrogante prestes a se tornar rei. Banido do seu reino e desprovido de poder em função da ira de seu pai e de tramoias ardilosas do irmão invejoso ele parte numa jornada de purgação onde deve mostrar-se novamente digno de usar seu título, suas armas e suas insígnias. Jogado na Terra, onde vai passar pelo seu “Caminho de Santiago”, Thor conhece pessoas, faz amigos e começa a entender a vida dos mortais, inclusive construindo uma relação com a pesquisadora Jane Foster. Simples, você diria. Pois é, eu concordo. Quase um clichê. Com algumas coisas funcionando melhor e outras pior...

Thor tenta resgatar o martelo Mjolnir no início do filme: ainda não, filhinho. Tem mais duas horas de filme antes disso... 

Falando, primeiro, do que eu acho que funcionou: Os atores principais. Anthony Hopkins provou ser uma escolha acertadíssima para Odin, o Pai de Todos. Aliás fazia tempo que eu não via o Hopkins tão bem em um papel. Ele me lembrou Marlon Brando em “Superman – O Filme” (Superman, Richard Donner, 1978). Tom Hiddleston, um ator de 30 anos sem muitos filmes no currículo foi uma aposta feliz de Branagh para viver Loki, o Deus da Trapaça e o irmão invejoso de Thor. Disse o ator que buscou muita inspiração na trama de Hamleth, um escandinavo e shakesperiano ponto de encontro entre a história de Thor e os filmes do diretor. Mas mesmo que esses dois coadjuvantes fossem bem, nada funcionaria se Thor não convencesse. E Chris Hemsworth, o Capitão Kirk da nova série Star Trek (Star Trek, JJ Abrams, 2009), convence como Thor. Além de ter o “physique du rôle” Hemsworth pegou a essência do personagem. Ainda temos Renée Russo, uma atriz da qual eu gosto muito (Máquina Mortífera 3 e 4, Be Cool – O Nome do Jogo), que infelizmente teve seu papel de Frigga (esposa de Odin e mãe de Thor) bastante secundarizado no filme. E ainda tem a Jane Foster de Natalie Portman. Quer dizer, né. Depois de “Cisne Negro” (Black Swan, Darren Aronofsky, 2010) cada vez que eu enxergar a Portman na minha frente vou esperar uma atuação naquele nível. Mas em Thor... bom, nas palavras dela própria, ela fez o filme para desestressar, para desanuviar a cabeça. E é bem a impressão que passa. Seu desempenho não compromete, mas não é nada extraordinário.

Hemsworth, Hopkins e Hiddlestrom estão bem no filme. Mas o tapa-olho podia ser menos photoshop, não?

Ainda na linha das coisas que eu gostei no filme: as alusões aos quadrinhos. Certas coisas que passam batidas para quem não acompanha as HQ's estão lá só para homenagear esses fãs, como a Manopla do Infinito que aparece em Asgard no início do filme e a participação de Clint Barton, o Gavião Arqueiro, em determinado momento (com um visual bem ultimate, diga-se de passagem. Quem lê os quadrinhos entende o que eu quero dizer). Gostei também dos Três Guerreiros, Fandral (Josh Dallas), Hogun (Tadanobu Asamu) e Volstagg (Ray Stevenson). Heidmall, o guardião da ponte do arco-íris, talvez seja o meu personagem preferido do filme. O fato de terem escolhido um ator negro (Idris Elba) para interpretá-lo (assim como um asiático para fazer Hogun) foi uma ousadia interessante do diretor, e teve resultados bem legais.

Hogun, Fandral e Volstagg: os Três Guerreiros em sua versão de cinema e...


... na versão em quadrinhos. 

Mudando um pouco de assunto, vamos agora falar um pouco daquilo que eu não achei tão legal assim. A começar, as caracterizações visuais de Asgard e dos asgardianos. Tudo bem que Asgard é conhecida como a “Cidade Dourada”, mas precisava ser tão... brega? Achei que a charada da representação de guerreiros medievais tinha sido morta por Peter Jackson na trilogia “O Senhor dos Aneis”, com aquele visual meio "sujo" e irregular... mas Branagh optou por um visual “Cavaleiros do Zodíaco”. Com exceção do próprio Thor, parece tudo um grande desfile de Carnaval...

Sala do trono de Asgard. Mas bem que alguém podia gritar "Mê dê sua força Pégasooooooo..." 

Além disso, o roteiro anda rápido demais. É o mesmo problema que eu senti em “Homem de Ferro 2” (Iron Man 2, Jon Favreau, 2010). Thor desce à Terra para uma jornada de redenção, em busca de voltar a “ser digno”. E essa jornada dura... três dias! Parece tudo muito raso, simples e pueril. Para o meu gosto, videoclipe demais e filme de menos. Mas enfim, tem muito fã que está gostando bastante, pelo que tenho lido na net. Falando em fãs, o que a maioria não gostou (e eu me incluo aí) foi da luta do Thor com o Destruidor. A reclamação principal é que foi muito fácil derrotar o monstro/guardião asgardiano. E de fato, nos quadrinhos o Destruidor é bem mais difícil de ser parado do que foi no filme.

Thor encara o Destruidor: nem destruiu tanto assim... 

Thor funciona perfeitamente como filme de diversão, apesar de ser mais raso do que “Homem de Ferro 1” e “O Incrível Hulk”. Tem muito mais o tom de “Homem de Ferro 2”, o que eu acho bem uma pena, mas enfim. Nos deixa com um time respeitável de Vingadores para o filme de 2012: temos o Homem de Ferro (Homem de Ferro 1 e 2), o Hulk (O Incrível Hulk), o Máquina de Combate (Homem de Ferro 2), a Viúva Negra (Homem de Ferro 2), Thor (Thor) e o Gavião Arqueiro (Thor). Além desses ainda chega o Capitão América, provável líder da equipe, e a supervisão dos agentes Coulson (o ex-marido da Old Christine) e Nick Fury (Samuel L. Jackson). Confesso que tenho muito medo de “Vingadores” (previsto para 2012) ser uma bomba. Mas, quem viver verá...

 

PS 1: Não assista “Thor” em 3D. É completamente dispensável.

PS2: Se quiser saber mais sobre filmes de herois e dos Estúdios Marvel, tem aqui, ó: http://paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=35

PS3: Dia cinco de maio agora fez um ano que eu estou publicando textos aqui no PáginaDois! Gostaria de agradecer, novamente, ao Rodka, à Clarice e a todo mundo que faz parte da turma. É ótimo estar com vocês!

 

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05 de Maio de 2011 | Postado por Pedro Cunha

Os últimos dez anos foram sensacionais para o Brasil. A economia cresceu e o país tornou-se mais justo, com uma surpreendente redução da (ainda gigante) desigualdade social. O país cresceu em termos geopolíticos, deixando de ser apenas exportador de pés-de-obra para os campeonatos de futebol europeus e tornando-se protagonista em ações internacionais, sendo referência em campos tão distantes como sustentabilidade, redução da pobreza e exploração de petróleo. E tudo isso com imprensa livre, eleições regulares e tudo mais. A questão então é: porque o cinema nacional patina?

 

Antes que me atirem pedras, eu sei que há boas produções. Ainda não consegui assistir, por exemplo, “Os Famosos e os Duendes da Morte” (Esmir Filho, 2010), que tem sido bastante elogiado por todo mundo que viu. E “Tropa de Elite 2” (José Padilha, 2010) é a exceção que confirma a regra. É um baita filme de ação. O meu ponto é que o cinema brasileiro mainstream tem usado muito, muito dinheiro para fazer filmes... ruins. Pelo menos os filmes que mais gastam dinheiro e também os que mais arrecadam.


Esse eu não vi, mas é muito bom, já diria o Sílvio... 

Há uma vertente recentemente descoberta que tem rendido muito dinheiro e muito público no Brasil: o cinema espírita. Não quero entrar no mérito religioso da coisa, mas cinema espírita está para cinema como literatura espírita está para literatura: é um ramo a parte. Qualquer filme que for lançado com a temática vai fazer uma bilheteria estrondosa. “Bezerra de Menezes” (Bezerra Filho e Joe Pimentel, 2008), “Chico Xavier” (Daniel Filho, 2010), “Nosso Lar” (Wagner de Assis, 2010) e “As Mães de Chico Xavier” (Glauber Filho e Halder Gomes, 2011) fizeram, todos, boas bilheterias. Mas cinematograficamente são muito ruins! Antes que alguém argumente falando da mensagem, de ler os livros etc eu já aviso: eu não sou gabaritado para analisar essa parte. Falando sobre cinema, e só sobre cinema, os roteiros são fracos, as atuações são caricatas e o dinheiro gasto (no caso de Nosso Lar foram R$ 20 milhões!!) foi muito, mas muito mal gasto! A cidade futurista de “Nosso Lar” é uma das coisas mais bregas e cafonas da história do cinema.


Colônia Espiritual, mas pode chamar de "Sala da Justiça"... 

O filme brasileiro mais comentado da temporada, e que com certeza está fazendo boa bilheteria, é “Bruna Surfistinha: O Doce Veneno do Escorpião” (Marcus Baldini, 2011). Eu não li o livro da moça, mas o roteiro do filme tem mais buracos que queijo suíço. Não se entende o começo do filme, o meio é confuso e o final sem sentido. “Fora isso”, diriam alguns... Deborah Secco não está ruim no papel, mas falta conteúdo ao personagem. Sem falar no personagem do seu namorado/marido, interpretado pelo Cássio Gabus Mendes. Mais bidimensional impossível... mas a culpa não é dos atores: com aquele roteiro nem a Meryl Streep e o John Malkovich conseguiriam se sobressair.


Entendeu? Então me explica... 

Além dele o outro suposto blockbuster brasileiro da temporada seria “VIPs” (Toniko Melo, 2010). O filme conta a história real de um cara de classe média que se deu bem se passando por outras pessoas e dando uma série de golpes, começando se passando por piloto de avião. Sim, você já viu esse filme e a comparação com “Prenda-me se for capaz” (Catch me if you can, Steven Spielberg, 2002) é inevitável. Acontece que ambas as histórias são reais e sim, bastante parecidas. Por mais que Wagner Moura esteja bem, como sempre, é mais um filme que gasta uma boa grana para ir de nada a lugar algum. Perde-se muito tempo em alguns detalhes da trama que não se explicam, alguns outros ficam óbvios demais e o roteiro, apesar de ter a mão do competente Bráulio Mantovani, não leva a lugar algum.


Nem Wagner Moura salva sempre... 

Fazendo a forçosa comparação, nossos hermanos argentinos e uruguaios tem nos dado um banho, em termos de produção cinematográfica. E eu só não sou categórico em por junto peruanos, colombianos e mexicanos porque conheço pouco, quase nada, de suas produções. O curioso é que o pessoal do Prata trabalha com orçamentos muito mais apertados e em condições muito mais difíceis de arrecadação de grana. Aqui no Brasil, ainda por cima, temos uma série de isenções e benefícios que são como coração de mãe: sempre cabe mais um independente da índole ou da qualidade...

Tentando responder a minha questão, eu vejo que o cinema brasileiro fica no meio do caminho entre tentar ser Hollywood e tentar ser latinoamericano. A questão é que, enquanto tentar imitar as comédias românticas de Hollywood o cinema brasileiro vai SEMPRE sair prejudicado, porque para o bem e para o mal, ninguém consegue fazer Hollywood como Hollywood. Os cinemas argentino e uruguaio, até em função de limitações, tem de caprichar muito nos roteiros, nos diálogos e nas atuações. São filmes mais densos, muitas vezes mais pesados. Mas acabm tendo uma qualidade muito grande. De orelhada (e sem citar o ganhador do Oscar do ano passado...) eu lembro de “Abutres” (Caranchos, Pablo Trapero, 2010), XXY (Lúcia Puenzo, 2007), O Banheiro do Papa (El Baño del Papa, Cesar Charlone e Enrique Fernandez, 2007), Gigante (Adrián Biniez, 2009)... enfim, são vários. Todos com essas características comuns: bons diálogos, trabalhos interessantes de fotografia e enquadramento, atores (não modelos ou apresentadores, enfim) trabalhando bem. Será tão complicado assim.


Para não dizer que eu só detonei... 

E para não dizer que não falei de flores, hoje eu vi um bom filme nacional. “Como Esquecer” (Malu de Martino, 2010). Mais parecido com os filmes argentinos do que tentando ser Hollywood, temos um filme sensível e um belo trabalho de Ana Paula Arósio como atriz. O filme fala sobre desilusões amorosas, finais, recomeços, partidas e chegadas. E sobre juntar os pedaçoes e como cada um lida com a perda, seja a perda da morte, a perda do abandono ou tantas outras perdas que possamos viver. Destaque para as atuações dos coadjuvantes: Murilo Rosa já ganhou inclusive algumas premiações internacionais pelo seu papel como Hugo, um dos amigos de Júlia, a personagem de Arósio. E Natália Lage... tá, deixa eu contar um segredo: eu meio que sou apaixonadinho por ela desde que ela fez a novela Perigosas Peruas, novela das 19h que foi ao ar no longínquo 1992. Ela tinha 14 anos, como eu, e eu a achava linda. Enfim, ela foi meu sonho de consumo durante muito tempo... e a “Pollyana hippie” (A definição é da Júlia, personagem do filme) que ela interpreta em “Como Esquecer” é bem meu tipinho, também. Natália Lage, um beijo para ti! Passado o momento stalker/confissões de adolescente, resta dizer que ela também está bem no filme. E resta também nos perguntar, porque o cinema brasileiro não pode ser mais brasileiro, como foi nesse filme.

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21 de Abril de 2011 | Postado por Pedro Cunha

Alguns diretores tornam-se referência dentro de um gênero em função de o terem modificado, renovado, inserido algo novo ou olhado para ele de outra maneira. E quando se fala do sempre subestimado gênero do horror, não há mais como não incluir Wes Craven nessa lista. Até porque ele não fez isso uma ou duas vezes. Com o lançamento de “Pânico 4” (Scream 4, Wes Craven, 2011) ele acaba de ter feito isso pela TERCEIRA vez.

Se por nenhum outro motivo, Craven merecia estar na galeria dos grandes diretores de horror em função de ter sido o roteirista e diretor de “A Hora do Pesadelo” (Nightmare on Elm Street, 1984). O filme criou uma série de paradigmas, regras e modelos que foram repetidos a exaustão nos dez anos seguintes. Sem falar no personagem Freddy Kruger: Seu chapeu coco, seu suéter listrado vermelho, seu rosto queimado e, principalmente, sua luva com lâminas se tornaram mais do que símbolos: foram ícones. Nos 10 anos seguintes a fórmula de Craven foi repetida a exaustão. Dezenas de filmes e sequências utilizavam-se do serial killer que, de uma maneira ou de outra, voltava para vingar-se. Além do Freddy Kruger de Craven também definiram as regras dos filmes de horror nos late 80´s e nos early 90´s Jason Vorhees, da série “Sexta-Feira 13” (Friday the 13th) e Michael Myers, da série “Halloween”. Jamie Lee Curtis, heroína de “Halloween”, tornou-se um dos símbolos daquelas mocinhas que corriam, corriam, corriam e acabavam sempre alcançadas pelos vilões que, invariavelmente, caminhavam lentamente. Alcançadas elas eram. Escoriações, obtinham várias. Mas pegas? Nunca. Elas sobreviviam. O que nós já sabíamos desde o início do filme...

 
Freddy Krueger e a sua indefectível luvinha...

A fórmula tornou-se desgastada. Depois de muito sucesso Freddy, Jason e Cia já não assustavam mais ninguém. E então Craven apareceu e mudou as regras do jogo. “Pânico” (Screan, 1996) inaugurava novas regras, mas mais do que isso: começava o jogo dos metafilmes. Os filmes que falam dos filmes. “Pânico” falava, inclusive, das regras dos filmes de terror, inventadas por Craven. E nos apresentava um novo serial killer, um tanto quanto diferente: Ghostface, como acabou ficando conhecido em função de sua máscara. Ghostface não tem poderes sobrenaturais. Ele liga de um telefone e avisa para as pessoas que elas estão para morrer. E então ele as apunhala. Várias vezes. Mas no meio do caminho, Ghostface corre. E tropeça. E erra, várias vezes. E se bate, e se machuca e nos proporciona alguns momentos de humor bizarro e nervoso. Ghostface é, de certa forma, a antítese dos grandes vilões de filmes de horror. E mais ainda porque, como observamos nas sequências “Pânico 2” (Scream 2, 1997) e “Pânico 3” (Scream 3, 2000), Ghostface nunca é a mesma pessoa.

 
Pânico mudou as regras dos filmes de horror e se tornou um clássico dos anos 90 

As duas sequências, aliás, brincam mais ainda com os clichês do cinema. “Pânico 2” usa e abusa, propositadamente, de todos os clichês das sequências de filmes de horror. Já “Pânico 3” lança ideias e teorias sobre o conceito de trilogias, e já se anuncia como o último da sequência. Os três filmes orbitam em torno de um núcleo de três personagens: Sidney Prescott (Neve Campbell) é a vítima. Gale Wheaters (Courtney Cox) é a jornalista inescrupulosa que cobre o evento dos assassinatos seriais e acaba se envolvendo com Dewey (David Arquette), o policial encarregado de resolver os crimes. Foi durante as gravações de “Pânico”, aliás, que Courtney Cox acabou tornando-se (e hoje não é mais) Courtney Cox-Arquette. Cambpell chegou a experimentar algum momento de estrelato, em função do sucesso da série, mas no começo dos anos 2000 caiu na vala das atrizes comuns com algumas escolhas erradas de trabalho.

A metalinguagem sobre os filmes de horror está ainda mais presente em “Pânico 2” e “Pânico 3”. As duas sequências, inclusive, faziam referências ao filme “Stab”, pretensa obra de ficção baseada nos crimes de Woodsboro, que ocorreram no primeiro pânico. É metalinguagem pura, inclusive porque o assassino de “Stab” é... Ghostface, ele mesmo! Quando as cenas dos filmes começam a se misturar, as vezes fica difícil entender se o que está rolando é o filme “real” ou o “filme do filme”. “Pânico 3” encerra a trilogia e não dá margem a sequência. O que deixa no ar a pergunta: por que fazer “Pânico 4”?

Eu tenho, sempre, ressalvas com sequências. Na maioria das vezes elas são descartáveis e desnecessárias, a não ser para o bolso dos produtores. Mas de vez em quando uma sequência se justifica. E é o caso de “Pânico 4”. O filme começa com uma cena forçada de Ghostface em ação. E logo descobrimos que se trata de uma cena de “Stab 6”. Que está incluída, aliás, no início de “Stab 7”. É o filme dentro do filme dentro do filme. “Pânico 4” traz o mesmo núcleo-base (Campbell, Arquette e Cox) e a trama é a mesma. Trazendo, porém, as referências do século XXI. No início do filme há uma referência (ácida e crítica) à série “Jogos Mortais” (Saw), que foi o que de mais inovador apareceu no cinema de horror nesse século. Há muitas, mas muitas referências a filmes e diretores: “Stab 1”, o “Pânico” dentro de “Pânico”, foi dirigido, por exemplo, por Robert Rodriguez. Um determinado policial se chama Perkins. Anthony Perkins, numa clara alusão ao ator do clássico “Psicose” (Psycho, Alfred Hitchcock, 1960). E há uma série de cenas onde aparecem nomes e cartazes de filmes antigos de horror, sem falar nos diálogos de alguns personagens fazendo jogos de perguntas e respostas sobre filmes de horror.

 
"Pânico 4": Nova década, novas regras... 

“Pânico 4” fala de internet, de live broadcast e faz uma crítica surpreendentemente forte à sociedade das subcelebridades virtuais e dos reality shows dos anos 2000. O diretor brinca, também, com a nova mania de Hollywood: os reboots. "Pânico 4" não deixa de ser um reboot do primeiro, e isso é tratado abertamente no próprio filme, inclusive com uma "nova" Sidney Prescott. É um filme que garante bons momentos de risadas e alguns sustos, no que Wes Craven continua muito bom. E, acima de tudo, Craven encerra um ciclo: se em 1996, com “Pânico”, ele mostrou o esgotamento da fórmula que ele mesmo inaugurara em 1984 com “A Hora do Pesadelo” agora em 2011, com “Pânico 4”, ele esgota a vertente que havia inaugurado em 1996. Resta ver o quanto ele servirá de modelo para os filmes de horror daqui para frente...

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07 de Abril de 2011 | Postado por Pedro Cunha

“Aquele que luta com monstros deve tomar cuidado para não tornar-se também um monstro. Quando você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você”.

Friederich Nietzsche

 

A indústria cinematográfica de Hollywood passa por um momento de profunda crise. A criatividade parece ter se esgotado e as grandes bilheterias são, sem exceção, remakes, reboots, refilmagens e continuações. Quando não adaptações de quadrinhos, seriados ou de outras coisas, como brinquedos ou videogames. Fiquemos em 2010, por exemplo: o top 10 das bilheterias começa com “Toy Story 3” (Lee Unkrich), uma continuação, passa por “Alice no País das Maravilhas” (Tim Burton), uma re(re-re)filmagem, segue com “Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 1” (Harry Potter and The Deathly Hollows – Part 1, David Yates), adaptação E sequência, continua com “A Origem” (Inception, Chris Nolan), único filme 100% original até aí, continua com “Eclipse” (David Slade), “Homem de Ferro 2”, “Meu Malvado Favorito” (Despicable Me, Pierre Coffin / Chris Renaud), “Como Treinar Seu Dragão” (How to Train Your Dragon, Dean DeBlois/Chris Sanders) e fecha com “Fúria de Titãs” (Clash of Titans, Louis Leterrier). São 10 filmes dos quais apenas três são roteiros originais. E dois deles são animações.

Já faz algum tempo que Hollywood tornou-se um banco de aplicações. Quando se faz um filme o que se calcula é o quanto ele pode potencializar o investimento: quantas sequências ele pode gerar, quando pode gerar em merchandising, qual o público alvo etc. Alguns desses filmes tem mais dinheiro investido em publicidade e divulgação do que no filme em si. Os produtores e muitos diretores, ao invés de pensar no filme que querem fazer, pensam em negócios. O cinema é menos arte do que já foi, bem menos.

Os atores e as atrizes, muitas vezes, tornaram-se personagens deles mesmos. Ao invés de trabalhos de interpretação nós temos os mesmos rostos fazendo as mesmas caras e bocas. Atores muito talentosos tem dificuldades para conseguir bons papeis enquanto outros, medianos ou ruins, recebem mais da metade do orçamento de um filme porque eles farão com que o filme seja visto, não importa se seja bom ou ruim.

Então, vem a pergunta, por que eu vou ao cinema?

Daria para responder essa pergunta de um monte de maneiras. Mas, de certa forma, é como um jogo de azar. Eu vou perder, na maioria das vezes.Vou ganhar poucas vezes. Mas uma única vitória dessas faz valer todas as outras derrotas. Até porque, dependendo do espírito, jogar e perder pode ser tão divertido quanto ganhar. Mas ainda assim, as vezes ganhamos.

 

E foi mais ou menos essa a minha sensação ao sair do cinema depois de assistir “Cisne Negro” (Black Swan, Darren Aronofsky, 2010). Ganhei na Mega Sena, acertei o pleno na roleta, o jogo abriu e eu tenho um four de ases. Não me lembro quando foi a última vez (se é que houve outra, antes dessa) que eu passei arrepiado do início ao fim de um filme. A cena de abertura, com a bailarina Nina ensaiando num fundo preto e contando o seu sonho, dá o tom do filme. Vi algumas críticas tentando ser mais realistas que o rei e dizendo que “Cisne Negro não retrata o mundo real do ballet. Só que, na minha opinião, Aronofsky não passou nem perto de querer fazer isso.

 

“Cisne Negro” é um daqueles filmes que temos uma dificuldade enorme de encaixar em algum gênero. É um drama? Suspense? Horror? Thriller? É tudo isso misturado. E mais um pouco. Um enorme pouco. Aronofsky fez um filme sobre humanidade, loucura, obsessão, compulsão e paranóia. E além disso foi muito feliz na sua viagem sinestésica em que roteiro, fotografia, figurino, trilha sonora e atuação são, organicamente, uma coisa só. O filme é lindo. Perturbadoramente lindo. Enquanto ele rola na tela grande não conseguimos parar de olhar, embora a sensação de mal-estar só vá crescendo e crescendo.

 

Se o roteiro e a direção foram primorosos, o filme também só aconteceu por causa de Natalie Portman. Sabe aquelas felizes coincidências, da pessoa certa no lugar certo na hora certa? Essa é Natalie Portman em “Cisne Negro”. Uma jovem e talentosa atriz naquela atuação visceral pela qual ela será eternamente lembrada. A perturbada Nina e suas confusões (que o filme torna nossas também) entre realidade e fantasia não seria tão doentia se não fosse pela atuação de Portman e sua alquimia com o diretor. A câmera passa o tempo todo perseguindo Nina, nos tornando quase um stalker dela. A ideia, feliz, do diretor é que a confusão de Nina seja também a nossa confusão. Destaque-se também o ótimo trabalho da coadjuvante Mila Kunis, que alterna-se entre a companheira de dança de Nina e uma versão do subconsciente da própria bailarina.

 

A essa altura do campeonato (eu sei, me atrasei para escrever sobre esse filme) resta muita pouca coisa a ser escrito sobre “Cisne Negro”. O que eu tenho para dizer? Assista. E assista novamente. E assista também os outros filmes de Aronofsky, em especial “O Lutador” (The Wrestler, 2008), o filme que buscou Mickey Rourke no ostracismo e que é, de certa forma, um estudo para “Cisne Negro”. Ambos os filmes falam sobre exigir do corpo mais que ele pode dar, ambos os filmes mostram narcisismo e perfeccionismo e ambos os filmes terminam num salto para a eternindade.

As premiações, como era de se esperar, quase ignoraram “Cisne Negro”. Com exceção do prêmio de Melhor Atriz para Portman (que simplesmente não poderia ser tirado dela) o filme perdeu em todas as categorias que estava indicado, mesmo que merecesse em algumas delas como Fotografia, Direção e Edição. Poderia ter sido, no mínimo, indicado na categoria figurino, também. As roupas de ballet estão lindas de morrer.

 

PS: Desculpem-me, meus dois leitores, pela ausência prolongada. Passei por mudança de endereço e estou em Salvador, Bahia. Estava em regime de internato e agora que estou conseguindo reorganizar a minha vida. Prometo aquela regularidade constante daqui para a frente...

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03 de Março de 2011 | Postado por Pedro Cunha

O Melhor (e o nem tão Melhor) do Oscar 2011

E o Kodak Theatre mais uma vez recebeu a cerimônia de entrega do Academy Awards, carinhosamente chamado de “Oscar”. Para quem gosta, a diversão começa cedo, a partir das 19h, quando a transmissão do tapete vermelho começa a mostrar quem errou e quem acertou na escolha dos vestidos. Segundo a minha especialista de moda de plantão (também conhecida como a minha namorada, a Brunna Stock) alguns dos melhores vestidos foram os de Reese Witherspoon, Mila Kunis, Scarlet Johanson e Hilary Swank. Ela adorou também o vestido da Natalie Portman, que destaca a barriguinha de grávida. Já entre as que não foram tão felizes assim, segundo nossa expert, podemos citar Penélope Cruz (parecia uma matrona), Gwyneth Paltrow (com um decote muito estranho), Sunrise Cogney, a esposa de Mark Rufalo, usou uma roupa que ninguém entendeu. Aliás, duvido que ela mesma tenha entendido. Helena Bonham Carter foi usando um figurino de Harry Potter, certamente. As decepções da noite, no quesito moda, foram as sempre elegantes (e lindas) Cate Blanchet e Nicole Kidman. A primeira pegou emprestada uma roupa de Lady Gaga, já a segunda usava na cintura um “paramento litúrgico”, daqueles de padre. Ah, nossa analista convidada achou a Jennifer Lawrence vulgar. Eu não.


 

Reese Witherspoon, Mila Kunis, Scarlet Johansson e Hilary Swank: algumas das mais bem vestidas

 
 
Penélope Cruz ganha desconto porque está com um bebê de um mes. Mas Paltrow, Coigney e Bellatrix, quer dizer, Bonhan Carter, deviam pensar melhor para o ano que vem...

 
Blanchet pegou emprestado de Gaga. Kidman, do Padre Marcelo

 
Portman estava linda e feliz. Jennifer Lawrence estava vulgar? Eu não achei...

Chegando na cerimônia em si, Anne Hathaway e James Franco estrearam na condução da cerimônia. Um tanto nervosos no começo eles foram se soltando (mais ela do que ele) durante a apresentação. Eu a convidaria novamente. Não a ele, enfim. O palco, montado com diferentes camadas de profundidade, foi uma grande bola dentro. Ficou muito legal e deu destaque às homenagens da Academia, que deu o tom da cerimônia escolhendo dois filmes grandiosos para homenagear: “... E o Vento Levou” (Gone With the Wind, Victor Fleming, 1939) e “Titanic” (James Cameron, 1997). Já nesse momento dava para perceber a tendência da premiação e o favoritism, já anunciado, de “O Discurso do Rei” (The Kings Speech, Tom Hooper, 2010). A noite foi de resgates históricos, com as participações inclusive dos dois apresentadores mais clássicos da história do Oscar, Billy Cristal e Bob Hope.


Franco e Hathaway: tentativa de buscar o público jovem para a cerimônia não deu certo... 

Sobre a cerimônia, ainda: para mim os melhores momentos da festa foram as homenagens aos filmes antigos, a participação de Kirk Douglas e a entrada da orquestra, ao som de Star Wars Theme. As cenas de “... E O Vento Levou” mostram o arrojo de um filme que foi produzido em 1939 e o capricho da produção de Cameron nos lembraram que o cinema pode ser mágico e grandioso. Talvez a Academia estivesse buscando algum tipo de redenção depois de ter, em 2010, premiado “Guerra ao Terror” (The Hurth Locker, Kathryn Bigelow, 2009) ao invés do grandioso “Avatar” (James Cameron, 2009). Kirk Douglas, o eterno Espártaco, deu show no palco. Antes de anunciar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante ele gracejou com Anne Hathaway e brincou com a ansiedade das indicadas. Além de ter, é claro, lembrado que foi indicado três vezes e nunca levou.

 
Kirk Douglas, 94 anos, ataca Melissa Leo. O Filho Michael teve a quem puxar, pelo jeito... 

Entre os discursos, eu gostei do Christian Bale, que fez referência a Dicky Eklund, que foi vivido por ele em “O Vencedor” (The Fighter, David Russell, 2010). Wally Pfister, ganhador do prêmio de melhor fotografia por “A Origem” (Inception, Christopher Nolan, 2010) deu uma alfinetada na Academia. Lembrou que o filme só existia porque teve um excelente trabalho de direção. E ele tem razão: é inexplicável que Nolan não tenha sido ao menos indicado a Melhor Diretor. Colin Firth foi comovente agradecendo à mãe. Melissa Leo está tomando porrada de tudo quanto é lado pelo seu discurso, já que a acusam seu arroubo emocionado de ser fake e também de ter usado, como dizem os americanos, “the F-word”. Muito em função da polêmica pré-Oscar, quando Melissa Leo fez lobby em favor de sua atuação.

Falando sobre a premiação, ela foi pautada pela previsibilidade. Nas oito categorias “principais” tivemos apenas uma surpresa e meia, por assim dizer. “O Discurso do Rei” (Melhor Filme), Colin Firth (Melhor Ator), Natalie Portman (Melhor Atriz), Christian Bale (Melhor Ator Coadjuvante), Melissa Leo (Melhor Atriz Coadjuvante) e Aaron Sorkin (Melhor Roteiro Adaptado por “A Rede Social”) confirmaram premiações que todos já esperavam. A “meia-surpresa” da lista foi Tom Hooper (Melhor Diretor). Havia uma forte tendência desse prêmio acabar nas mãos de David Fincher não só por “A Rede Social” (The Social Network, 2010) mas também pelo conjunto da obra de Fincher. Hooper levou e a Academia manteve a tônica de premiar como Melhor Diretor o diretor do Melhor Filme. Por isso mesmo eu falo em “meia” surpresa. A surpresa inteira foi na categoria Melhor Roteiro Original. Todos achavam que esse seria o prêmio de consolação de Chris Nolan, injustamente (repito) não indicado como Melhor Diretor e autor de um roteiro complexo e elaborado. A vitória de “O Discurso do Rei”, um roteiro bem convencional, essa sim pode ser chamada de surpresa inteira. Note-se um detalhe: tivesse dado a lógica e “A Origem” levado o prêmio de Melhor Roteiro Original e o filme teria levado cinco óscares, contra os três que teria levado “O Discurso do Rei”. E como justificariam que o grande vencedor da noite não teve nem a indicação para Melhor Diretor?


Bale, Portman, Leo e Firth: premiações previsíveis e merecidas 

Nas categorias mais técnicas “A Origem” (Inception, Christofer Nolan, 2010) levou seus prêmios, como era esperado. Prêmios justos de Efeitos Especiais, Edição de Som e Mixagem de Som. Foi meio estranho o prêmio de Fotografia, que na minha opinião tinha trabalhos melhores. “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, 2010), um dos piores trabalhos de Tim Burton, levou duas estatuetas: Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

Falando em previsões, elas foram tão previsíveis que até eu fui bem nos chutes: nas 20 categorias que eu me atrevi a chutar, acertei 15. E nas que errei, reconheço, nem deveria ter chutado em duas delas (Filme em Língua Estrangeira e Melhor Documentário em Longa). Só o fiz por questões afetivas, envolvendo “Biutiful” e a torcida por “Lixo Extraordinário”. E diga-se em minha defesa também que Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção são duas das categorias tradicionalmente mais complicadas de prever. Falando em Trilha Sonora, fiquei imaginando o colega Cassiano Rodka quando anunciaram o Oscar (merecido, enfim) para Trent Reznor. “Toy Story 3”, um dos melhores filmes do ano acabou levando Melhor Canção, além do óbvio prêmio de Melhor Longa de Animação.

Bom, sem mais delongas, vamos à lista completa dos vencedores:

Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor fotografia
- "A origem"

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

Melhor edição de som
- "A origem"

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Melhor edição
- "A rede social"

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”

Ah, ainda na esteira do Oscar, vale a pena conferir essas versões refilmadas de alguns dos indicados a melhor filme:
"O Vencedor"

 

"A Rede Social"


"127 Horas"


"Cisne Negro"

"O Discurso do Rei"
 

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27 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

Então vamos lá! Minutos antes do red carpet começar, os meus palpites...

Melhor filme

Cisne Negro
O Vencedor
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=496

A Origem
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=478

O Discurso do Rei
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=500

A Rede Social
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=455

Minhas Mães e meu Pai
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=499

Toy Story 3
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=5

127 Horas
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=499

Bravura Indômita
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=499

Inverno da Alma
http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=499

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “O Discurso do Rei”

QUEM EU ACHO QUE DEVIA GANHAR? “Cisne Negro”

 

Melhor diretor

Darren Aronovsky – Cisne Negro
David Fincher – A Rede Social
Tom Hooper – O Discurso do Rei
David O. Russell – O Vencedor
Joel e Ethan Coen – Bravura Indômita

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Tom Hooper

QUEM EU ACHO QUE DEVIA GANHAR? Darren Aronovsky

 

Melhor ator

Jesse Eisenberg – A Rede Social
Colin Firth – O Discurso do Rei
James Franco – 127 Horas
Jeff Bridges – Bravura Indômita
Javier Bardem – Biutiful

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Chuto Colin Firth (mas é a categoria mais imprevisível de todas...)

QUEM EU ACHO QUE DEVIA GANHAR? Eu daria o prêmio para James Franco. Mas qualquer um dos cinco que ganhar estará bem.

 

Melhor atriz

Nicole Kidman – Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence – Inverno da Alma
Natalie Portman – Cisne Negro
Michelle Williams – Blue Valentine
Annette Bening – Minhas Mães e meu Pai

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Natalie Portman (essa é a barbada da noite...)

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? Natalie Portman

 

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale – O Vencedor
Jeremy Renner – Atração Perigosa
Geoffrey Rush – O Discurso do Rei
John Hawkes – Inverno da Alma
Mark Ruffalo – Minhas Mães e meu Pai

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Christian Bale

QUEM EU ACHO QUE DEVIA GANHAR? Christian Bale

 

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams – O Vencedor
Helena Bonham Carter – O Discurso do Rei
Jacki Weaver – Animal Kingdom
Melissa Leo – O Vencedor
Hailee Steinfeld – Bravura Indômita

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Melissa Leo

QUEM EU ACHO QUE DEVIA GANHAR? Melissa Leo

 

Melhor longa animado

Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? Toy Story 3

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? Toy Story 3

 

Melhor filme em lingua estrangeira

Biutiful

http://www.paginadois.com.br/blog/?id=3&com=posts&pagina=detalhe&idPost=495
Fora-da-Lei
Dente Canino
Incendies
Em um Mundo Melhor

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “Biutuful”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “Biutiful”

 

Melhor direção de arte

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “Alice no País das Maravilhas”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I”

 

Melhor fotografia

Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “Bravura Indômita”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “Cisne Negro”

 

Melhor figurino

Alice no País das Maravilhas
I am Love
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “Alice no País das Maravilhas”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “O Discurso do Rei”

 

Melhor montagem

Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
A Rede Social
127 Horas

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “A Rede Social”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “127 Horas”

 

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat – O Discurso do Rei
John Powell – Como Treinar o seu Dragão
A.R. Rahman – 127 Horas
Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social
Hans Zimmer – A Origem

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? John Powell ou Hans Zimmer

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR?Trent Reznor e Atticus Ross ou Hans Zimmer

 

Melhor canção original

“Coming Home” – Country Strong
“I See the Light” – Enrolados
“If I Rise” – 127 Horas
We Belong Together – Toy Story 3

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “If I Rise”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “If I Rise”

 

Melhor Maquiagem

O Lobisomem
Caminho da Liberdade
Minha Versão para o Amor

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “O Lobisomem”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? Qualquer um, menos “O Lobisomem”

 

Melhor Edição de som

A Origem
Toy Story 3
Tron – O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “A Origem”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “A Origem”

 

Melhor Mixagem de som

A Origem
Bravura Indômita
O Discurso do Rei
A Rede Social
Salt

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “A Origem”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “A Origem”

 

Melhor Efeitos especiais

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
Além da Vida
A Origem
Homem de Ferro 2

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “Alice no País das Maravilhas”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “A Origem”

 

Melhor Roteiro adaptado

A Rede Social
127 Horas
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma

 

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “A Rede Social”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “A Rede Social”

 

Melhor Roteiro original

Minhas Mães e meu Pai
A Origem
O Discurso do Rei
O Vencedor
Another Year

QUEM EU ACHO QUE VAI GANHAR? “A Origem”

QUEM EU ACHO QUE DEVERIA GANHAR? “A Origem”

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26 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

 
Colin Firth, que se fez grande Rei, com apoio do seu terapeuta de fala, Lionel Logue

Indicado em 12 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Tom Hooper), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator (Colin Firth), Melhor Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush), Melhor Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter), Melhor Trilha Sonora, Melhor Mixagem de Som

“O Discurso do Rei”, numa primeira análise poderia ser encaixado naquela grande categoria dos filmes de “superação”: histórias (muitas vezes reais) de pessoas com uma grande dificuldade que lutam contra ela e tem no filme, na maioria das vezes, a história do seu sucesso. De “Flashdance” (Adrian Lyne, 1983) até “Preciosa” (Precious, Lee Daniels, 2009), passando por “Uma Mente Brilhante” (A Beautyful Mind, Ron Howard, 2001), esse “pseudogênero” em geral rende boas histórias, apesar da forte tendência de acabar caindo no clichê.

O roteirista David Seidler adaptou a história do irmão menos famoso que tornou-se Rei da Inglaterra. O irmão mais famoso foi seu antecessor, Eduardo VIII, que tornou-se célebre por ter abdicado da coroa britânica para poder casar-se com a mulher que amava, uma americana duas vezes divorciadas. Em geral essa história é contada como o conto de fadas do homem que abriu mão do trono inglês por amor, mas o filme a conta sob o ponto de vista do irmão mais novo que via o irmão como um dândi irresponsável que colocava seus sentimentos e questões pessoais acima das questões de estado. “Bertie”, como era chamado pela família, tinha sérios problemas de insegurança e uma gagueira que o impedia de falar em público, numa época (final dos anos 1930) em que a Inglaterra rumava para uma guerra onde o seu adversário, Adolf Hitler, tinha na eloquência sua principal virtude.

O filme, que não teve um orçamento modesto, fez por merecer todas as indicações mais técnicas que recebeu. A produção é caprichadíssima, os figurinos muito cuidadosos e detalhistas e a fotografia é discretamente perfeita. O ponto forte do filme, no entanto, são as atuações. Em especial, o trabalho de Colin Firth. O eterno “namorado de Bridget Jones” já faz tempo que chama a atenção pelos trabalhos bacanas. O Rei Jorge VI, no entanto, é um papel diferente. E não só pela gagueira, magistralmente construída por Firth. Jorge VI parece, durante todo o filme, que está prestes a explodir, mas se controla. A figura do Duque de York que reluta para tornar-se Rei, imerso na própria insegurança é sustentada por dois sensacionais coadjuvantes. O primeiro deles é o experiente Geoffrey Rush, que interpreta o ator frustrado e terapeuta da fala Lionel Longue, um australiano que afronta e ajuda o Rei na sua busca por conseguir controlar a sua fala. A segunda é a sempre deslumbrante Helena Bonham Carter, como Elizabeth, a esposa do Duque de York. Sempre é bom ver Bonham Carter atuando, e é bom de vez em quando vê-la num papel que não é o de doida varrida. Essas três atuações e o a eficiência técnica conseguem fazer com que “O Discurso do Rei” fuja do clichê dos “filmes de superação” e torne-se um excelente filme. Provavelmente vencerá em várias categorias e é hoje o franco favorito para as duas principais estatuetas, a de Melhor Filme e a de Melhor Diretor, para Tom Hooper.

 
Geoffrey Rush, Collin Firth e Helena Bonham Carter: bons atores, bom roteiro e ótimo filme

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25 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

O que anda faltando

Os filmes se acumularam! Vou pedir desculpas a todos e prometer, no decorrer do semestre, analisar mais detalhadamente alguns deles. Mas para resenhar todos antes do Oscar, que é domingo, vou fazer um bastantão hoje. Vou falar sobre quatro, eu disse QUATRO filmes! “Minhas Mães e Meu Pai”, “Bravura Indômita”, “Inverno da Alma” e “127 Horas”. Vamos que vamos!

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are Alright, Lisa Cholodenko, 2010)
 

Indicado em quatro categorias: Melhor Filme; Melhor Ator Coadjuvante (Mark Ruffalo); Melhor Atriz Coadjuvante (Annette Bening); Melhor Roteiro Original (Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg)

A história da família formada por duas lésbicas (Annette Bening e Julianne Moore) e seus filhos (Mia Wasikovska e Josh Hutcherson), resultados de inseminação artificial com um doador anônimo começa a se transformar quando a menina, Joni, atinge a maioridade e, instigada pelo irmão, busca conhecer o pai biológico (Mark Ruffalo). A chegada do pai abala antigas certezas e questiona o conceito de família do século XXI. A diretora e roteirista Lisa Cholodenko produziu um filme pautado nos diálogos e nos estereótipos familiares, questionando alguns e, ao final do filme, chegando numa solução bastante conservadora. O filme tem algo de pessoal, uma vez que a diretora e roteirista é militante do movimento lésbico e tem um filho, resultado de inseminação artificial com doador anônimo. Muitas vozes do movimento LGBT não gostaram do filme. Eu gostei, mas naquelas. Os atores estão bem, mas nenhum deles encanta. Apesar das quatro indicações recebidas o filme corre o sério risco de sair do Kodak Theatre de mãos abanando.

Bravura Indômita (True Grit, Joel & Ethan Coen, 2010)
 

Indicado em dez categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Joel e Ethan Coen), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Edição de Som, Mixagem de Som, Melhor Ator (Jeff Bridges), Melhor Atriz Coadjuvante (Hailee Steinfeld), Melhor Roteiro Adaptado

“Bravura Indômita” é uma refilmagem de um western clássico de 1969, dirigido por Henry Hattaway e estrelado por John Wayne, Glen Campbell, Robert Duvall e Dennis Hopper. Os irmãos Coen, queridinhos da Academia, empilharam indicações. A história é uma das arquetípicas do faroeste: a busca de vingança após a morte de um membro da família. O filme tem uma produção caprichadíssima (não por acaso as indicações nas categorias de Direção de Arte, Fotografia e Figurino), como de praxe no caso dos Coen. Outra característica deles, a boa direção de atores, se faz presente: Jeff Bridges (o US Marshall Rooster Cogburn), Matt Damon (o Texas Ranger LaBeuf) e Hailee Steinfield (a decidida e cabeça-dura Mattie Ross) funcionaram muito bem e a todo momento demonstram o sarcasmo e o humor negro, tão característicos dos Coen. O sempre bom Josh Brolin está ótimo como Tom Chaney, um dos vilões, e se afirma como um dos competentes atores da atualidade. Achei um filme divertido e bem naquele climão meio “western realista” que o Clint Eastwood definiu em “Os Imperdoáveis” (Unforgiven, Clint Eastwood, 1992). É filme para ver comendo pipoca. Ah, e as indicações? Acho que pode levar algum dos prêmios de arte. O figurino está caprichado e a fotografia usa e abusa do pó, da luz e dos tons pasteis do western. Bridges, tentando ganhar o prêmio pelo segundo ano consecutivo, corre por fora. Hailee Steinfield tem um páreo duro contra Melissa Leo e Amy Adamns. E os Coen... bom, a academia gosta deles. Não dá para dizer que eles não tem chance.

 
Hailee Steinfield, Matt Damon e Jeff Bridges, dando vida aos diálogos ácidos dos Coen

Inverno da Alma (Winter's Bone, Debra Granik, 2010)
 

Indicado em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (John Hawkes), Melhor Atriz (Jennifer Lawrence) e Melhor Roteiro Adaptado (Debra Granik e Anne Rossellini)

“Inverno da Alma”, o terceiro filme de Debra Granik, foi muito bem recebido pela crítica. O filme se passa em alguma cidade do interior dos EUA onde uma menina de 17 anos (Jennifer Lawrence) tem que tomar conta da família (dois irmãos e uma mãe doente) em função da ausência do pai, envolvido com tráfico de drogas. A menina tem de ir atrás do pai em função dele ter dado a casa e o terreno onde a família vive como garantia da sua fiança e ter desaparecido depois disso, não comparecendo nas suas audiências. A menina então tem que buscar o pai num submundo podre ao mesmo tempo em que tenta a todo custo evitar a desagregação da família. O filme é tenso e funciona todo em torno da personagem de Lawrence. A menina tem 21 anos e segura legal o rojão. Uma atuação tecnicamente perfeita e bem escudada por John Hawkes, que faz o papel de seu tio. Justas as indicações para ambos (mas acho que nenhum deles leva, deram azar... competir com Natalie Portman e Christian Bale nesse ano está complicado.). O filme angustia e não tem uma mensagem otimista. A luta pela preservação da família é levada praticamente para o nível animal, de instinto de sobrevivência. O desfecho, se não é feliz, pelo menos é esperançoso.

127 Horas (127 Hours, Danny Boyle, 2010)
 

Indicado em seis categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Canção Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator (James Franco) e Melhor Roteiro Adaptado (Danny Boyle e Simon Beaufoy)

“127 Horas” é um filme de Danny Boyle, e isso é perceptível nos primeiros minutos do longa. A narrativa rápida, o ritmo de videoclipe, as imagens fragmentadas e a desconstrução do som e da imagem, marcas registradas dos trabalhos anteriores de Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário, A Praia, Por Uma Vida Menos Ordinária, Trainspotting...), estão lá. Mas Boyle escolheu uma história real bastante complicada para adaptar: um jovem alpinista e explorador de cânions sofre um acidente e fica isolado sozinho dentro de um cânion no meio do nada. “E sai um filme disso?”, você se pergunta. Sim, sai. E o filme de forma alguma é parado ou monótono, apesar do protagonista passar 90% do tempo do filme no mesmo lugar. Aí aparecem os talentos de Boyle, como diretor, e de James Franco. O ator que já havia vivido Harry Osborn nos três filmes da série “Homem-Aranha” (Sam Raimi) já tinha mostrado alguma maturidade na ótima interpretação de Scott Smith em “Milk – A Voz da igualdade” (Milk, Gus van Sant, 2008). “127 Horas” poderia ser uma bomba se a atuação de Franco comprometesse. Mas o que acontece é justamente o contrário: o trabalho do ator faz com que o filme fique ainda melhor. Há momentos emocionantes. Há momentos de prender a respiração. Há momentos tensos. E tudo isso sem o protagonista sair do mesmo lugar. Méritos para Boyle e para Franco, que podem levar as estatuetas de Diretor e Ator (a categoria de melhor ator, para mim, é a mais difícil de prever...). Os prêmios de edição e trilha sonora (aqui a concorrência é forte) não seriam injustos, também. Filmaço, daqueles de prender na cadeira do início ao fim. Os cenários do filme em canyonville, nos EUA, são deslumbrantes e o diretor sabe tirar proveito dele para fazer um filme que além de bom é incrivelmente lindo.

 
Danny Boyle orienta James Franco na única locação do filme

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17 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

 

Sete Indicações:

Melhor Filme

Melhor Diretor (David Russell)

Melhor Edição

Melhor Ator Coadjuvante (Christian Bale)

Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)

Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo)

Melhor Roteiro Original

 

“O Vencedor” é um filme sobre boxe. Os filmes sobre esse esporte são um subgênero relativamente importante em Hollywood e costumam fazer boas bilheterias. Por vezes também bons filmes, como o clássico “Touro Indomável” (Raging Bull, Martin Scorsese, 1980) e o mais recente “Menina de Ouro” (Million Dollar Baby, Clint Eastwood, 2004). A propósito o filme de Scorsese é melhor do que o de Eastwood, mas perdeu o Oscar para “Gente Como a Gente” (Ordinary People, Robert Redford, 1980). Já o de Eastwood venceu a estatueta, derrotando o favorito “O Aviador” (The Aviator, 2004) de... Scorsese. O ítalo-novaiorquino definitivamente não tem sorte com boxe.

Boxe e Oscar à parte, “O Vencedor” conta a história real de Micky Ward, boxeador norteamericano que tardiamente se tornou campeão mundial. Micky teve origem numa família pobre no interior dos EUA e desde a infância teve como modelo seu meio-irmão, Dicky Eklund, ex-boxeador que teve como grande louro da carreira ter disputado (e perdido) uma luta contra “Sugar” Ray Leonard, histórico campeão de boxe. Dicky é o treinador de Micky e sua mãe, Alice Ward, faz o papel de empresária.  Os problemas pessoas de Dicky e a falta de tino de Alice afundam a carreira de Micky, que na maior parte das suas lutas era utilizado como “trampolim” por outros boxeadores, que procuravam lutas fáceis para subir nos rankings e ganhar cotas maiores. Uma derrota vexaminosa faz com que Micky pense seriamente em largar o boxe e continuar no seu emprego de pavimentador de ruas, mas ele recebe um novo estímulo poderoso ao envolver-se com Charlene Fleming, que torna-se sua namorada. A decisão de Micky e de seu pai de arranjar um novo empresário, com apoio de Charlene, apesar de deixar a mãe/empresária bastante contrariada, faz com que Micky consiga algumas lutas que era capaz de ganhar. A prisão de seu irmão em função de seus problemas pessoais acaba ajudando também, uma vez que agora Micky conseguia tranqüilidade e regularidade para treinar. Além disso, para várias pessoas, ele passava a ser o centro das atenções ao invés de seu irmão. Lidar com a mágoa da mãe (e das váááárias irmãs) tendo o auxílio e a confiança da nova namorada, do pai e do treinador tornava-se mais fácil. A ascensão de Micky Ward começa a ser posta em cheque quando, às vésperas da improvável luta pelo título na qual ele chegou, seu irmão é solto da cadeia e quer voltar a treiná-lo. Aqui o filme chega na sua encruzilhada: Micky deve voltar aos caprichos da mãe e do irmão problemático ou dar as costas às pessoas que o apoiaram e acreditaram nele quando nem ele acreditava mais?


Mark Wahlberg é Micky Ward e Christian Bale é Ricky Deklund

“O Vencedor” é um título menos apropriado que o original em inglês, que poderia ser traduzido como o lutador e poderia ser uma chave tanto para Micky, o protagonista, quanto para seu irmão Dicky. Começando pelo que mais se destaca no filme, a atuação de Christian Bale como Dicky é impressionante. Bale prova que é mesmo um dos grandes atores da atualidade e sua transformação física para viver Dicky Eklund assusta. É um ator meticuloso e que constroi seu personagem a partir dos pequenos detalhes: cacoetes, expressões faciais, pequenos gestos. Dicky Eklund não seria um personagem difícil de fazer. Difícil é fazê-lo da maneira como Bale fez, sem cair em estereótipos e exageros. Bale pinta, junto com Geoffrey Rush, como um dos favoritos ao Oscar de coadjuvante. E se levar o prêmio não será sem merecimento, numa carreira que já está polvilhada de bons trabalhos como na série Batman (Batman Begins, 2005; e The Dark Knight, 2008, ambos de Christopher Nolan), em “O Grande Truque” (The Prestige, Christopher Nolan, 2006) e em “Psicopata Americano” (American Psycho, Mary Harron, 2000). Falar mais sobre o trabalho de Nolan (e há bastante mais a ser dito) pode estragar a trama, para aqueles que ainda não viram o filme.

Além de Bale, destacam-se as atuações de Amy Adams, como Charlene, e Melissa Leo, como Alice. A namorada e a mãe de Micky Ward disputam emocionalmente o “controle” do rapaz e as duas atrizes, com atuações sólidas e bem diferentes, brilham nos papeis. Se eu tivesse que escolher Melissa Leo levava a estatueta (até esse momento ainda não vi Bonhan-Carter, uma das minhas atrizes preferidas, em “O Discurso do Rei”).

 
Melissa Leo ajuda a levar o personagem de Wahlberg ao fundo do poço. Amy Adams ajuda a resgatá-lo

Mark Wahlberg encarna Micky Ward com uma contenção não só adequada como necessária: para que os frenéticos personagens de Melissa Leo e Christian Bale possam aparecer Wahlberg teve que fazer um Micky discreto, esmagado pela pressão de ser o “irmãozinho” de Dicky e a única esperança da família toda (que não é pequena) de tirar o pé da lama. A crítica, na minha opinião, não tem dado ao trabalho de Wahlberg nesse filme o reconhecimento que ele merece.

Russell, o diretor, mostra a sua visão na história logo na primeira cena. Enquanto Micky, de costas, trabalha, o foco todo fica em Dicky. Teoricamente ele está ali também para trabalhar, mas ele só está junto, falando sobre os velhos tempos e sobre sua luta contra “Sugar” Ray Leonard. Ele comprimenta todas as pessoas na rua, todos são simpáticos com ele, todos parecem gostar dele. Mas quem está ali dando duro, trabalhando e não chamando a atenção é Micky. A cena de abertura descreve, portanto, boa parte do que é o filme além de ser um filme de boxe. Até porque tratando-se de um filme de boxe, “O Vencedor” não é mais do que um filme comum, uma história de superação. É na relação entre a família, os irmãos e os amigos que “O Vencedor” se torna um bom filme.

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10 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

 

Biutiful (Alejandro Iñárritu, 2010)
 

Imagine um filme todo rodado em Barcelona. Imagine esse filme estrelado por Javier Bardem. Não. Não é o que você imaginou. Você não vai ver a fachada da Sagrada Família. Não vai ver cenas de pôr-do-sol em Port Vell. Não vai ver caminhadas na beira da praia em La Barceloneta. Sim, a rambla aparece, mas apenas uma vez. E tenha certeza que a ênfase, nessa cena, não é nos cafés, nos bares ou nas lojas de flores. Imagine Barcelona. Então tire Barcelona de Barcelona. E então você começa a ter “Biutiful”.

Iñárritu, o diretor de “Amores Brutos” (Amores Perros, 2000) é um diretor que gosta de trabalhar com a grande questão da miséria e da podridão humana, como já demonstrou em “Babel” (2006), filme que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e valeu para Iñárritu uma indicação como Melhor Diretor. Outros temas recorrentes na obra do diretor são a metafísica e a espiritualidade,  presentes por exemplo em “21 Gramas” (21 Grams, 2003). “Biutiful” trata dos dois temas. O roteiro todo gira em torno de Uxbal, o personagem de Javier Bardem. Uxbal é um meio-vigarista, meio-explorador que batalha para tentar sustentar seus dois filhos pequenos, não podendo para isso contar com a mãe das crianças, Marambra (Maricel Alvarez), uma massagista que sofre de um grave distúrbio bipolar. Uxbal sobrevive ora agenciando trabalhadores ilegais chineses e africanos (e extorquindo-os no processo), ora usando um dom que possui, de se comunicar com os mortos, cobrando dos vivos para transmitir “recados”. A vida pobre na sub-Barcelona segue seu rumo até que Uxbal descobre um câncer avançado e a perspectiva de ter que deixar os filhos pequenos sozinhos (ou ainda, com a mãe) o perturba.

Javier Bardem tenta educar os filhos na Barcelona que não está nos guias turísticos 

A proximidade da morte faz com que Uxbal comece também a temer o acerto de contas final. Mesmo comunicando-se com os mortos há uma clara mudança no comportamento do personagem que busca aproximar-se da mãe dos seus filhos e, de certa forma, compensar as suas ações em relação aos imigrantes ilegais. Mas nem sempre nobres intenções são premiadas com bons resultados, como Iñárritu faz questão de nos mostrar. As pontas da vida de Uxbal vão se encontrando na sua relação tumultuada com o pai, que ele nunca conheceu mas está presente em ambas as pontas da sua vida. A relação de Uxbal com o pai e com o filho, aliás, é uma das linhas-mestras do filme.

O filme todo é centrado em Uxbal, o personagem de Bardem. A atuação do espanhol é tão boa que lhe valeu uma indicação ao Oscar como melhor ator. Andei lendo que teria sido a primeira vez que uma atuação inteiramente em língua espanhola é indicada ao Oscar, mas não tenho certeza se a informação é verdadeira. Na verdade de memória eu lembro de Roberto Begnini indicado por uma atuação toda em italiano por “A Vida é Bela” (La Vita è Bella, Roberto Begnini, 1997) e Fernanda Montenegro indicada atuando o tempo todo em português em “Central do Brasil” (Walter Salles, 1998). Mas independente disso a atuação de Bardem conduz o filme e comprova que ele é um dos grandes atores da atualidade. A atuação correta de Maricel Alvaréz como a bipolar Marandra, comedidamente exagerada, se é que isso é possível, ajuda a conduzir o filme e dá para o personagem de Bardem, racional e quase calculista, um bom contraponto.

Marambra, a bipolar, e Uxbal, o picareta: bons trabalhos de Maricel Alvaréz e Javier Bardem 

Tecnicamente o filme vence o desfio de mostrar Barcelona sem os clichês de Barcelona. Ambientes fechados, luzes noturnas e tons escuros poderiam contribuir para mais clichês, o que não aconteceu. O filme é bonito, dentro da ideia de que lixo, pobreza e miséria podem ser plasticamente bonitos. A montagem também foi extremamente feliz, sendo um elemento importante para que o filme funcione.

Uxbal, sozinho. Completamente sozinho. 

“Biutiful” é um soco na boca do estômago. Um pisão na unha encravada do pé. Uma catarrada na cara. É um filme que mostra o que há de podre e de errado no mundo, sem apresentar uma perspectiva de solução. Não há um final feliz. No máximo, há descanso. E tranqüilidade, que talvez fosse mais do que Uxbal pretendesse encontrar. O filme é bom, apesar de extremamente triste. E se perde um pouco para mim pela quantidade de assuntos complexos que Iñárritu tenta abraçar. Imigrantes chineses, imigrantes africanos, bipolaridade, câncer, morte, pós-morte, homossexualismo, corrupção policial, problemas com pai, problemas com filho, questões trabalhistas... a impressão que dá é que o filme podia ser um pouco mais sólido se o diretor tivesse restringido as questões. Abordar todas acaba não explorando devidamente nenhuma delas. 


PS: "E o Oscar?", você me pergunta. E com razão. Mas ele vem, calma. Eu tive que dar uma pausa porque são muitos filmes e eu estava ficando para trás... aguardem atualizações no decorrer da semana! 

 

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03 de Fevereiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

 

Indicados ao Oscar 2011 (parte 2)

Vamos então comentar as categorias mais técnicas. Vale aqui também colocar algumas explicações sobre elas. Muita gente confunde as categorias...

Melhor direção de arte

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

A direção de arte é responsável por ambientar uma história. Harmonia entre figurino, cenários, objetos e tudo que pode fazer parte de uma cena. Filmes de época e de fantasia sempre entram forte nessa categoria. O “Alice” de Tim Burton acabou sendo uma grande decepção mas teve uma direção de arte caprichadíssima. “Bravura Indômita” e “O Discurso do Rei”, nas suas ambientações (velho oeste e Inglaterra do século XIX), também estão sendo bastante elogiados (ainda não vi esses dois...). Premiar “Harry Potter”, um belo trabalho de direção de arte, seria uma forma de começar também a premiar a franquia mais rentável dos últimos anos no cinema. E “A Origem”, com todas as suas referências nas obras de M. C. Escher, talvez seja o trabalho mais ousado e original da categoria. Se eu tivesse que escolher, premiaria “A Origem”. Mas ainda quero assistir aos outros dois filmes para ter uma opinião mais definitiva.

 

Melhor fotografia

Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

 

Fotografia é a categoria que premia o manejo da câmera. Enquadramento, escolha de planos, escolha de lentes, escolha de cores. Fotografia tem uma relação muito grande com a criação de uma atmosfera que favoreça a história que está sendo contada. Nesse sentido “Cisne Negro” vem sendo elogiadíssimo para essas categorias mais artísticas. A fotografia de “A Rede Social”, a cargo de Jeff Cronenweth, é muito boa em função de se tratar de um filme sem grandes efeitos especiais ou grandes cenas externas, que facilitam a criação de uma fotografia mais espetacular. A fotografia de “A Rede Social” é minimalista, discreta e detalhista, mas por isso mesmo trata-se de um ótimo trabalho. O bom trabalho de fotografia de “A Origem” fica um pouco ofuscado porque a fotografia do filme mescla-se e confunde-se com os efeitos visuais dele, tornando difícil fazer o julgamento de onde termina um e começa o outro.

 

Melhor figurino

Alice no País das Maravilhas
I am Love
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

 

Outra categoria onde os filmes de época e fantasia usam e abusam da imaginação. Pode ser o prêmio de consolação para o filme de Burton, já que ele não conseguiu ser indicado em categorias mais importantes.

 

Melhor montagem

Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
A Rede Social
127 Horas

 

Raramente um filme é filmado de maneira linear e em ordem. O prêmio de montagem celebra aquele filme que mais harmoniosamente e originalmente “cola” os pedaços para contar a história. Uma boa montagem, na maioria das vezes, passa despercebida. Nesse sentido “A Rede Social” é um filme tecnicamente muito bem feito. A montagem ajuda um filme que não tem nenhuma ação a não tornar-se monótono. David Fincher optou por uma solução não-linear, em termos de cronologia, e o resultado foi excelente.

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat – O Discurso do Rei
John Powell – Como Treinar o seu Dragão
A.R. Rahman – 127 Horas
Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social
Hans Zimmer – A Origem

 

Já assisti três dos cinco filmes indicados, e não sei qual a melhor trilha sonora. Trent Reznor, mais conhecido pela sua banda Nine Inch Nails, é parceiro de longa data de Fincher e já fez outras trilhas para o autor (como em “Seven”) e para outros diretores (como em “Assassinos por Natureza”, de Oliver Stone). Sua trilha é orgânica e feita para ambientar a história, harmonizando com ela. Não é só um conjunto de canções jogado em cima de um filme. São sons e músicas que misturam-se com a imagem criando um organismo único. O mesmo pode ser dito, como elogio, para os trabalhos de Powell em “Como Treinar seu Dragão” e de Zimmer em “A Origem”. Mas aqui Zimmer desponta como favorito com o seu próprio currículo pesando em seu favor. Zimmer já venceu o Oscar em 1994, com “O Rei Leão”. E além disso já foi indicado outras sete vezes: “Rain Man” (1988), “Um Anjo em Minha Vida” (1996), “Melhor É Impossível” (1997), “O Príncipe do Egito” (1998), “Além da Linha Vermelha” (1998), “Gladiador” (2000) e “Sherlock Holmes” (2009). O trabalho dele em “A Origem” é sensacional quando percebemos, entre outras coisas, o trabalho de decomposição que ele faz no clássico de Edith Piaf, desacelerando-a e colocando-a na mesma ideia do filme, de tempos diferentes em cada uma das “camadas oníricas” do filme.

 

Melhor canção original

Melhor do que dar pitaco é deixar aqui as cinco canções, para que cada um escolha a sua preferida...

“Coming Home” – Country Strong
 


“I See the Light” – Enrolados



“If I Rise” – 127 Horas


“We Belong Together” – Toy Story 3

Melhor Edição de som

A Origem
Toy Story 3
Tron – O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

Edição de Som é a categoria que premia os efeitos sonoros incorporados ao filme depois da filmagem. Tudo aquilo que é criado, tudo aquilo que é inventado em termos sonoros é levado em conta aqui.

Melhor Mixagem de som

A Origem
Bravura Indômita
O Discurso do Rei
A Rede Social
Salt

Essa categoria avalia a relação do som com a imagem. A altura do som, sua sincronia com as imagens e sua clareza são os elementos mais importantes em jogo aqui. A grande surpresa foi a indicação da bomba “Salt”, com a Angelina Jolie...

 

Bom, quinta-feira que vem nós finalmente terminamos nossas análises!

 

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27 de Janeiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

E então saíram os indicados ao Oscar 2011. Por mais polêmica, por mais clichê, por mais comercial e por mais cartas marcadas que seja a cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood mobiliza o mundo inteiro. Sem mais delongas vamos aos indicados 2011 e aos meus palpites:


Melhor filme

Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Minhas Mães e meu Pai
Toy Story 3
127 Horas
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Desde o ano passado a Academia indica 10 e não mais 5 filmes ao prêmio de filme do ano. Nenhuma grande surpresa ou ausência nessa categoria. A Pixar conseguiu, pelo segundo ano consecutivo, emplacar uma animação entre os 10 mais do ano. “Toy Story 3” não tem chances reais de levar o prêmio de melhor filme mas, em compensação, deve sobrar na categoria Longa de Animação. “127 Horas” e “Bravura Indômita” são os filmes dos atuais queridinhos da Academia, Danny Boyle e os irmãos Coen. Boyle já venceu com o mediano “Quem Quer Ser Um Milionário”, em 2009, e os Coen por sua vez venceram em 2008 com “Onde Os Fracos Não Tem Vez” e tiveram nova indicação em 2009 por “Um Homem Sério”. As premiações que costumam ser a “prévia” do Oscar, como o Globo de Ouro, vinham apontando um caminho relativamente seguro para “A Rede Social”. O prêmio do Director´s Guild, no entanto, acabou com o elogiadíssimo “O Discurso do Rei”, que também ganha força para o Oscar. A crítica elogia bastante “Cisne Negro”, mas o filme é considerado “difícil” e “sério demais” (enfim, não sei o que querem dizer com isso...). Surpresas podem acontecer em função da maneira como a votação passou a ser feita, com cada votante ordenando os filmes de 1 a 10 e com todos recebendo pontuação. Algum filme que seja muito bem votado como segundo, terceiro ou quarto pode acabar pintando como azarão e levando a estatueta dourada do careca. Há fortes suspeitas que foi o que ocorreu ano passado com “Guerra ao Terror”. Meu palpite? Acho que fica entre “A Rede Social” e “O Discurso do Rei”. Para mim “A Origem” é melhor que “A Rede Social”, mas enfim... “Toy Story 3”, “Minhas Mães e Meu Pai” e “Inverno da Alma” seriam os azarões, e os outros todos seguem por fora...

 

Melhor diretor

Darren Aronovsky – Cisne Negro
David Fincher – A Rede Social
Tom Hooper – O Discurso do Rei
David O. Russell – O Vencedor
Joel e Ethan Coen – Bravura Indômita

O prêmio de melhor diretor costuma, logicamente, acompanhar o de melhor filme, apesar de já terem acontecido exceções. Essa categoria gerou passeatas, polêmicas, manifestações iradas e imolações de fãs indignados com a não indicação de Chris Nolan, o diretor de “A Origem”. Nolan é um diretor em ascensão e tem feito filme sólido atrás de filme sólido, e realmente foi surpreendente ele não ser indicado. Sinal de que “A Origem” dificilmente leva o prêmio de melhor filme. Tom Hooper ganhou o Director´s Guild e com isso também ganhou força para o Oscar, mas o favorito, na minha opinião, segue sendo David Fincher por “A Rede Social”, que nem de longe é o melhor trabalho do diretor de “Se7en”, “Clube da Luta” e “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Pairam sobre Fincher acusações de que estaria “simplificando” o seu trabalho para cair no gosto da academia, como também faria Boyle, cujos filmes do começo de carreira (“Cova Rasa”, “Trainspotting” e até “A Praia”) eram bem mais contundentes e menos comerciais do que os atuais. Mas, enfim, é o mundo dos negócios de Hollywood. A crítica se derrete em elogios a Aronovsky, mas ainda acho difícil dele levar dessa vez.


Melhor ator

Jesse Eisenberg – A Rede Social
Colin Firth – O Discurso do Rei
James Franco – 127 Horas
Jeff Bridges – Bravura Indômita
Javier Bardem – Biutiful

Categoria das mais difíceis de prever. Todas as cinco atuações foram elogiadíssimas pela crítica. O Globo de Ouro ficou com Firth, que faz tempo superou o trauma de ser o namoradinho de Bridget Jones e pode usar isso como uma credencial para o Oscar. Eisenberg é a revelação da temporada. Bardem é um dos atores mais requisitados da atualidade, aliando boa técnica e suspiros das moças. Bridges ganhou no ano passado e segue em ótima forma. Franco tem um filme que é quase um monólogo, todo para ele. Realmente não sei para que lado apontar...

 

Melhor atriz

Nicole Kidman – Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence – Inverno da Alma
Natalie Portman – Cisne Negro
Michelle Williams – Blue Valentine
Annette Bening – Minhas Mães e meu Pai

“Cisne Negro” é um dos melhores filmes do ano, mas não deve ganhar nenhum dos prêmios principais. Seu prêmio de consolação deve ser a estatueta para Portman, cuja atuação (assim como a de Mila Kunis) tem comovido a crítica. Como Kunis não foi nem indicada acho que Portman leva, sem surpresas.

 

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale – O Vencedor
Jeremy Renner – Atração Perigosa
Geoffrey Rush – O Discurso do Rei
John Hawkes – Inverno da Alma
Mark Ruffalo – Minhas Mães e meu Pai

Achei bem legal a indicação de Renner, que já tinha ido muito bem em “Guerra ao Terror”. Deve levar o Bale, que vem ganhando os prêmios e levando a crítica não só por esse trabalho, mas por uma carreira bastante sólida que o atual Batman vem construindo.


Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams – O Vencedor
Helena Bonham Carter – O Discurso do Rei
Jacki Weaver – Animal Kingdom
Melissa Leo – O Vencedor
Hailee Steinfeld – Bravura Indômita

Categoria difícil para eu opinar já que ainda não vi nenhum dos filmes indicados. Das atrizes citadas a minha preferida é a Bonham Carter, sem dúvida, e teve em 2010 um ano com ótimas atuações, voltando à maravilhosa Belatrix Lestrange em “Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1” e sendo a Rainha Vermelha, talvez a única coisa que se salve em “Alice no País das Maravilhas” do Burton...


Melhor longa animado

Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Não tem nem graça. Os três filmes são bons mas Toy Story... faz marmanjos chorarem. É um filme sensível, é um filme bonito, passa mensagens bacana sobre amizade e valores. Leva e leva com justiça. “O Mágico” é uma animação estilo antigo e um primor para os olhos, com seu retrato de Edinburgo do ponto de vista de um velho ilusionista francês e uma jovem caipira escocesa. “Como Treinar Seu Dragão” é divertido, mas inferior aos dois. Fez-se justiça à sua sensacional trilha sonora, indicada na categoria.


Melhor filme em lingua estrangeira

Biutiful
Fora-da-Lei
Dente Canino
Incendies
Em um Mundo Melhor

Categoria mais difícil, mais diferente e, muitas vezes, mais interessante do Oscar. Quem vai ganhar? Até agora não faço a mínima ideia. Conselho? Assista todos. Em geral não há filmes ruins entre os cinco indicados a filme em língua estrangeira...

E as categorias mais técnicas? Aguarde, que na próxima quinta eu comento. Me dá um tempo, vá, para assistir no cinema esses filmes bons que estão saindo por aqui só agora...

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20 de Janeiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha


Que o cinema argentino e uruguaio está bombando você já sabe. Que Ricardo Darín é um baita ator e tem olhos incrivelmente expressivos você já sabe. Que um filme pode se segurar fundamentalmente em cima de um bom roteiro e de atores competentes você também já sabe. Que janeiro e fevereiro são meses interessantes para os cinéfilos você certamente também já sabe. Sabe sim, já que nesses meses deságuam por aqui os favoritos ao Oscar e também os sempre interessantes indicados (ou quase) em língua estrangeira. E esse é o caso de “Abutres”.

 

O filme de Pablo Trapero certamente só ganhou circuito comercial no Brasil em função de “O Segredo dos Seus Olhos” (El Secreto de Tus Ojos, J. Campanella, 2009) ter abocanhado a estatueta de melhor filme em língua estrangeira no ano passado. E combine isso com a presença em ambos de Ricardo Darín, o grande ator de sua geração na Argentina. Mas fora a presença de Darín e o espanhol com sotaque portenho “Abutres” tem pouca relação com “O Segredo dos Seus Olhos”.

“Abutres” é um roteiro que fala sobre podridão humana. Como bem comentou a @graziels, são personagens que não tem carimbo de “bonzinho” ou “malvado” na testa. O filme, a princípio, fala de advogados que exploram inocentes vítimas de acidentes de trânsito, ficando com boa parte das indenizações a que os acidentados teriam direito. Esses mesmos advogados também, algumas vezes, fabricam alguns acidentes para gerar as tais indenizações. Darín é Sosa, um desses advogados que se envolve com Luján (Martina Gusman), uma paramédica que faz plantões atendendo aos casos de acidentes durante a madrugada. Ela também tem seus segredos, como logo descobrimos.

 

Sosa, o advogado (Darín), e Luján, a médica (Martina Gusmán): Quem são os Abutres?

O filme se passa quase totalmente em tomadas internas e noturnas, com pouquíssima luz natural, o que acaba reforçando a boa atuação principalmente dos dois protagonistas. O capricho na fotografia é possível de ser percebido nos detalhes, como na apresentação dos personagens. Da primeira vez em que aparecem nunca são retratados de frente, mas sim muito de perto, com atenção para detalhes de cabelos, nariz, orelha, boca e demais partes do rosto. Somos primeiro apresentados às partes, para depois conhecer o todo.

O filme é daqueles perturbadores. Mas é perturbadoramente bom, de vez em quando, um passeio pela podridão da alma humana. Outra reflexão que eu fiz foi pensando no Brasil: gostamos muito, as vezes, de nos menosprezar e achar que falcatrua e jeitinho são monopólios nossos. O filme mostra que não. Certas coisas, não tem jeito, são do interior do ser humano mesmo. Se vale a pena ver? Sem dúvida que sim. Mas não marque nada muito animado para depois...

 

Bardén tentando ficar feio no novo filme de Iñarritu

Falando em temporada de Oscar, tem coisa boa em cartaz por aí. Ainda não consegui conferir “Biutiful” (Alejandro Iñárritu, 2010), do mesmo diretor de “Amores Brutos” (2000), “21 Gramas” (2003) e “Babel” (2006) e com Javier Barden, outro ator do qual eu gosto muito. Parece ser uma pedida bacana para quem está procurando algo para assistir. Além dele estão por aí também “Além da Vida”, o novo filme do Clint Eastwood com o Matt Damon (que não deve ser diferente dos outros filmes do Clint Eastwood com o Matt Damon) e “Entrando Numa Fria Maior Ainda” deve repetir as piadas dos dois anteriores, mas o elenco com Ben Stiller, Robert de Niro, Dustin Hoffman e Barbra Streisand é ótimo e deve segurar bem.

E alguém mais, além de mim, está roendo as unhas à espera da estreia de “Cisne Negro” (Black Swan, Darren Aronofsky, 2010)? Eu já tinha dito que o filme tem os cartazes mais lindos do ano. Mas o filme, além disso, tem arrebatado a crítica por onde passa. Natalie Portman levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz, como esperado, já que sua atuação está sendo elogiadíssima. Não sei vocês, mas eu estou bem animado para esse filme...

 
Portman, o "cisne negro", com seu Globo de Ouro

Ainda o Globo de Ouro: Difícil ser mais previsível. “A Rede Social” (The Social Network, David Fincher, 2010) foi, como esperado, o papão da noite. Vamos combinar que o próprio Fincher (“Seven”, “Clube da Luta”, “O Curioso Caso de Benjamin Button”...) já fez coisa bem melhor. Não é que eu não goste do filme, eu só não consigo achá-lo a bolachinha mais recheada, como parece que a crítica gringa tem achado. Portman levou o de atriz, dizem, com justiça. E dizem que Collin Firth, por “O Discurso do Rei”, também. Resta esperar ambos os filmes estrearem por aqui...

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13 de Janeiro de 2011 | Postado por Pedro Cunha

O que você faria para poder mudar um ponto específico na trajetória da sua vida? Que ponto seria esse? E como essa mudança se refletiria no resto da sua vida? Como se sentiria aquele atacante italiano se pudesse novamente bater o pênalti que perdeu? E aquele candidato que marcou errada uma alternativa na grade e não passou no concurso, se pudesse refazer aquela prova? E aquele cara que estava com o telefone sem bateria e por isso não viu o torpedo da menina, que sem resposta saiu com o outro... se ele pudesse ver a mensagem, será que o faria?

Esse tema já foi amplamente discutido no cinema, que se dá ao luxo de brincar de viagem no tempo. “Corra, Lola, Corra” (Lola Rennt, Tom Tykwer, 1998), “O Feitiço do Tempo” (Groundhog Day, Harold Hamis, 1993) e “Melinda e Melinda” (Melinda and Melinda, Woody Allen, 2004) são exemplos dessas brincadeiras temporais. O filme sobre o qual eu vou falar hoje de certa forma também brinca com ansiedades e sonhos frustrados. Mas de uma maneira drasticamente mais humana.

“O Concerto” (Le Concert, Radu Mihaileanu, 2010) é um filme francês que conta a história de Andreï Filipov (Alexeï Guskov), um maestro russo que nos tempos soviéticos sofreu perseguições pelo governo Brejnev e por isso caiu em desgraça no seu momento máximo. Seu grande trauma foi a interrupção do Concerto para Violino de Tchaikovsky por um comissário do Partido Comunista. A queda foi brusca: Filipov, que era o regente da Orquestra do Teatro Bolshoi, tornou-se faxineiro do Bolshoi. Sua orquestra foi “expurgada” dos músicos judeus e ciganos que passaram a trabalhar em bicos e subempregos. 30 anos depois, enquanto limpa o escritório do diretor do Bolshoi que constantemente humilha-o, Filipov tem a sua chance de ouro: ele intercepta um fax do Teatro Châtelet, em Paris, que convidava o Bolshoi para uma apresentação na capital francesa.  Por que não reunir sua antiga orquestra e terminar, enfim, aquele concerto? Dentre as exigências feitas pelo maestro está a presença da francesa Anne-Marie Jacquet (Mélanie Laurant)  como solista, uma virtuose conhecida por jamais ter tocado Tchaikovsky. Durante o filme descobrimos que a escolha de Filipov não foi meramente técnica ou musical...

 
Radu Mihaileanu, o romeno que dirigiu "O Concerto"

O roteiro peca em vários momentos pela falta de verossimilhança. Se o regime comunista desmoronou faz mais de 10 anos porque o tal maestro não poderia ter uma carreira exitosa no ocidente? Os russos do filme também são EXTREMAMENTE estereotipados. O fato de o diretor ser romeno e de os romenos não terem boas recordações dos russos talvez colabore para isso. Mas a questão é que esses detalhes ficam em segundo plano quando as atuações de Alexeï Guskov e, principalmente, de Mélanie Laurant (que já esteve ótima em Bastardos Inglórios, BTW) vão nos seduzindo e durante o filme passamos a não dar tanta bola assim para esses pequenos furos do roteiro.


Alexeï Guskov, o maestro, e Mélanie Laurent, a solista

 Os demais personagens russos fazem um um núcleo cômico formidável onde, repito, os estereótipos pululam: o judeu dinheirista, o cigano ladrão, o mafioso novo-rico, o alcoólatra afetivo... esse, em especial, colabora para o filme: Dimitri Nazarov interpreta Sasha, o motorista de ambulância e músico que é o melhor amigo de Filipov. Seu jeito esfuziante e expansivo faz o contraponto ao traumatizado comportamento de vítima do velho maestro. As piadas sobre o Partido Comunista, tanto na França quanto na Rússia, também dão o tom do filme. E são parte do que ele tem de bom.

O melhor do filme é, sem sombra de dúvidas, a cena do concerto, que o diretor reproduziu inteiro. A música maravilhosa de Tchaicovsky inundando o Châtelet daquela forma improvável faz com que fiquemos com a respiração suspensa por alguns instantes. É o momento final, no qual enfim o filme se torna uma declaração de amor à música e à arte. Enfim, é um filme que encanta. E cujo final, por incrível que pareça, surpreende. Será que Filipov, 30 anos depois, consegue fazer seu gol? Será que valeu a pena esperar? Será que tudo isso tem um sentido? São as perguntas que o diretor tenta responder no filme...

 
Mélanie Laurent, de novo. Por quê? Ah, vá, ela é linda!

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