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Foram duas semanas
de tanta correria pelo interior do sul do Brasil, principalmente pelo
Rio Grande do Sul (Farroupilha e Frederico Westphalen) e por Santa Catarina
(Chapecó), que mal tive tempo de ver filmes ou ir ao teatro.
Aliás, pausa
aqui para comentar como anda difícil a vida cultural de quem mora
fora do eixo das capitais. Mesmo em cidades como Farroupilha e Chapecó,
dois centros altamente industrializados, com grandes universidades em
sua vizinhança, fica difícil assistir a um bom filme na
telona.
Em Chapecó,
nesse final de cinema, por exemplo, duas salas passam 300, Arthur e os
Minimoys e o Motoqueiro Fantasma. Em Farroupilha a única entrada
possível para cinema está no asfalto para Caxias do Sul
(seis salas oferecem oito filmes, a maioria com forte apelo comercial)
ou para Bento Gonçalves (um cinema oferece mais três filmes).
Achou pouco? Eu também acho!
Agora me perguntem,
em meio a uma safra de filmes brasileiros relativamente boa, quantos filmes
nacionais estão em cartaz nessa semana na telona dessas duas regiões
citadas? Zero! Nenhum! Nada! Assim não pode!
Mas até em
Florianópolis a coisa é complicada. A única alternativa
viável para quem gosta de um bom filme é ir ao CIC (Centro
Integrado de Cultura) ou atravessar a ponte e chegar ao charmoso Cine
York, em São José (parece um cinema de cidade do interior
dos meados do século passado). Há também o cineclube
Sol da Terra, na Lagoa, que oferece algumas alternativas. E é só!
Na próxima
semana será inaugurado um novo shopping na capital catarinense.
Ao contrário do último, que foi inaugurado no final de 2006
(e que até hoje segue com suas salas de cinema fechadas), o novo
empreendimento, que promete oferecer 3.800 novos postos de trabalho para
a economia local, tão sujeita às oscilações
das estações do ano, vai abrir com seis boas salas de cinema
já funcionando. Tomara que não se esqueçam de programar
bons filmes e também de privilegiar nossa produção
nacional.
Por falar em produção
nacional, na última semana, fui checar em Florianópolis
o trabalho muito bacana que a Barca do Livro está fazendo por aqui.
A idéia é aproximar a literatura da vida das pessoas. A
Barca, na beira da Lagoa da Conceição, é um misto
de espaço cultural, biblioteca, um simpático café
e eventos literários. Em abril, uma série de debates, leituras
e conversas com os autores está tomando conta do local. Fui ouvir
um papo com o escritor e roteirista gaúcho Tabajara Ruas, sobre
as relações da literatura com o cinema. Virei fã!
Tabajara acabou de adaptar, com Letícia Wierzchowski, O Tempo e
o Vento, de Erico Verissimo, para uma versão cinematográfica,
que será filmada por Jayme Monjardim. Já contei para vocês
que O Tempo e o Vento é um dos livros que mais li na vida? Já
perdi a conta das vezes!
Outra exceção
nas minhas duas semanas de "seca de cinema" foi uma bonita apresentação
de Denise Stocklos, que aconteceu na última semana em Florianópolis
durante o Festival de Teatro Isnard Azevedo, também no CIC. A peça
"Calendário da Pedra" traz as angústias humanas
que aparecem no transcorrer de um ano: paixões, buscas, a sensação
de perda de controle do tempo, a monotonia, as novas descobertas pessoais.
Tudo isso com um trabalho corporal incrível e único que
faz a atriz, autora e diretora. Para saber mais sobre Denise, acesse www.uol.com.br/denisestoklos.
A gente fica por aqui!
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