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O Zé tem
entre 25 e 35 anos, não é feio nem bonito, não é
rico nem pobre, não é infeliz, mas tem lá suas dúvidas
existenciais.
O Zé poderia
ser eu, poderia ser você, leitor, ou poderia ser, preste atenção
leitora, seu namorado, candidato a companheiro ou até mesmo seu
atual marido.
O Zé veio
de uma vila, família numerosa, pais religiosos, educação
sólida. O Zé fez faculdade na cidade grande, ganha algum
dinheiro, mas não tanto quanto gostaria. Já tomou algumas
rasteiras na vida, principalmente por causa das mulheres, que reclamam
do seu jeito muito "tradicional" de ser.
O Zé tomou
uma decisão: nas próximas semanas vai se vigiar, prestar
mais atenção no mundo, ler tudo que for manual de auto-ajuda
para tentar se tornar um homem moderno. Assim, quem sabe, consegue finalmente
cativar o coração de uma mulher.
Estão lançados
os doze desafios do Zé!
Primeiro desafio:
o machismo
Zé nas alturas
Zé, que não
é bobo nem nada, já aprendeu que tem que deixar as mulheres,
de vez em quando, lógico, dirigirem seus próprios carros.
Tirando as que odeiam guiar (e que, hoje em dia, não são
muitas), não é de bom tom, quando elas passam em sua casa,
perguntar se elas querem que você dirija, ou pior ainda, na hora
da manobra (sempre o momento mais tenso da jornada, mesmo que a vaga seja
a 45 graus) dizer: "querida, quer que eu estacione para você?".
Não faça isso nunca! Essa lição o Zé
já sabe de cor e salteado.
Mas não é
bem disso que se trata o primeiro desafio. Outro dia Zé precisou
viajar de avião, a trabalho, para o Nordeste. Isso acontecia quase
toda semana. Já era noite, no movimentado aeroporto de São
Paulo, quando ele alcançou a porta da aeronave. Como de costume,
piloto e aeromoça estavam impecáveis em seus trajes azuis
e vermelhos recebendo os passageiros. Uma olhada mais cuidadosa revelou
um detalhe importante: o piloto tinha rabo de cavalo. Mais um minuto de
observação mostrou que o piloto era, na verdade, uma pilota
(será que é assim que se fala?)
Zé tentou
se acalmar pensando "deve ser apenas a co-pilota" e buscou,
tranquilamente, seu assento. Quando o avião taxeou, veio a tão
temida confirmação: "Boa noite senhores passageiros,
esse é o vôo 3131, com destino a Salvador a cargo da comandante
Maria".
Zé, que viaja
de avião como quem caminha na praia, sentiu uma tensão que
não conhecia. As mãos geladas, o suor na testa, os dedos
inquietos. Será que é hoje que acaba tudo?
O avião demorou
mais de meia hora para conseguir chegar à cabeceira da pista. E
Zé não conseguir deixar de pensar que, se fosse um piloto,
a essas alturas, eles já estariam sobrevoando o Atlântico.
Com exceção de algumas turbulências, o vôo transcorreu
na mais absoluta paz até seu destino final. A tensão foi
passando e ele pode pensar melhor em como seu machismo estava arraigado
até seu último fio de cabelo. Na hora do aperto, ele dava
sinais claros de que vai bem, saudável e robusto!
Na hora do pouso,
efetuado com maestria pela comandante Maria, Zé não conseguiu
evitar que um pequeno sorriso escapasse pelo canto da sua boca. O suficiente
para que um vizinho de banco, também deixasse claro o que estava
pensando: "para uma mulher, até que ela pousou direitinho,
né?"Bingo! Zé não estava sozinho! Isso aliviava
parcialmente sua culpa!
Na hora de sair do
avião, ele não pode afirmar com certeza, mas pela porta
aberta da cabine, acha que viu a pilota passando um batonzinho vermelho.
Bom, mulher perfeita nasce homem, não é mesmo?
Zé e seu machismo
têm ainda um bom caminho a percorrer.
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